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Yorkshire Terrier

Raça Yorkshire Terrier

Minúsculo no corpo, enorme no carácter: o Yorkshire Terrier vive cada dia com coragem e charme.

Com pelagem sedosa e olhar atento, combina sofisticação com espírito terrier ativo e curioso.

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Energia Baixa

Nível de energia

2/5

Manutenção Muito Alta

Higiene

5/5

Pequeno

Tamanho

Vivo, corajoso, afetuoso e vigilante

Temperamento

11-15 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Fácil

Treino

4/5

Vocalidade Alta

Latido

4/5

Porque as pessoas adoram Yorkshire Terrier

Porque as pessoas adoram Yorkshire Terriers

O Yorkshire Terrier é muito querido pela sua combinação rara de elegância e personalidade forte. É um cão extremamente dedicado ao tutor, adapta-se bem a espaços pequenos e mantém-se alerta a tudo o que o rodeia. É brincalhão, inteligente e adora atenção. Para muitas pessoas, oferece o equilíbrio certo entre companheiro de colo e pequeno explorador cheio de energia. Há também razões práticas. As necessidades de exercício são modestas — o Royal Kennel Club britânico aponta até 30 minutos por dia —, o que o torna compatível com rotinas urbanas e com tutores menos ativos. A pelagem é de pelo, sem subpelo, e muda pouco, pelo que não deixa a casa coberta de pelos, embora isso não garanta que não provoque alergias. É ainda uma raça de vida longa: estudos no Reino Unido apontam para uma longevidade média de cerca de 13 anos, acima da média dos cães de raça pura. E, apesar do tamanho, conserva a coragem do terrier: é um cão com opinião própria, não um acessório.

Aparência

Aparência do Yorkshire Terrier

É uma raça toy de estrutura compacta, com dorso direito e um porte muito erguido que lhe dá, nas palavras do padrão da FCI, um ar de importância. O padrão não fixa altura, apenas um peso máximo de 3,2 kg; o American Kennel Club indica cerca de 18 a 20 cm ao garrote. A cabeça é pequena, de crânio achatado, com focinho não muito comprido e trufa preta. Os olhos são médios, escuros e brilhantes, virados para a frente, e as orelhas são pequenas, em V e erguidas. A pelagem é o traço mais marcante. Quando mantida longa, é lisa, fina, brilhante e sedosa, e cai por igual de cada lado do corpo a partir de uma risca que vai do nariz à ponta da cauda, sem nunca impedir o movimento. A cor adulta é azul-aço escuro — não azul-prateado — do occipital à raiz da cauda, com fogo dourado intenso na cabeça, no peito e nos membros, sempre mais escuro na raiz do pelo do que nas pontas. Os cachorros nascem preto e fogo, e a cor definitiva pode levar três anos ou mais a estabelecer-se. A cauda, antigamente cortada, é hoje descrita pelo padrão também inteira, bem coberta de pelo azul mais escuro e levada um pouco acima da linha do dorso.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Yorkshire Terrier

É uma das raças que mais exige manutenção da pelagem. O pelo cresce continuamente, é fino e, sem subpelo, forma nós e parte-se com facilidade se não for tratado. Com pelo longo precisa de escovagem diária — o Royal Kennel Club indica cuidados todos os dias — e é comum apanhar a franja com um elástico ou laço para não tapar os olhos. Muitos tutores optam por um corte curto de manutenção, feito regularmente por um tosquiador, que reduz o trabalho mas não dispensa a escovagem frequente. Banhos regulares, limpeza diária dos olhos, limpeza dos ouvidos e corte das unhas completam a rotina. A escovagem dos dentes merece lugar próprio: deve ser diária e começar em cachorro, porque a raça tem uma predisposição muito marcada para doença periodontal, como se explica na secção de saúde.

Temperamento e Características

Temperamento do Yorkshire Terrier

É afetuoso com a família, muito atento e frequentemente destemido. O padrão da FCI descreve-o como um terrier toy alerta e inteligente, vivo mas de temperamento equilibrado, e lembra que conserva o instinto de caça — seja atrás de um brinquedo em casa, seja de um roedor no quintal. Essa herança nota-se no dia a dia: é curioso, rápido, persegue o que se mexe e parece não ter noção do seu tamanho perante cães muito maiores. Pode ser vocal e territorial se não for educado cedo, e tende a ladrar a sons e a visitas, o que faz dele um bom alarme mas pode torná-lo um vizinho difícil num prédio se o hábito não for trabalhado. Com socialização adequada, convive bem com pessoas e outros cães, embora possa tentar impor-se. Cria laços fortes com o tutor e tolera mal ficar muito tempo sozinho: o clube norte-americano da raça inclui a ansiedade de separação entre os problemas a vigiar, e é uma raça que se dá melhor em casas onde alguém passa boa parte do dia. Com crianças pequenas, o cuidado tem a ver com o tamanho e não com o carácter: um cão de 3 kg precisa de ser manuseado com delicadeza, e as brincadeiras devem ser supervisionadas.

Exercício

Necessidades de Exercício do Yorkshire Terrier

Não precisa de grandes distâncias: o Royal Kennel Club aponta até 30 minutos de exercício por dia, e passeios curtos combinados com brincadeira em casa chegam para a maioria dos exemplares. Mas precisa desse exercício todos os dias, para gastar energia e manter o equilíbrio emocional; um Yorkshire sem ocupação acumula a energia de terrier que traz de origem, e isso costuma notar-se em latidos e agitação. Jogos de procura, esconder guloseimas pela casa e brinquedos interativos aproveitam o instinto de caça e cansam tanto a cabeça como um passeio cansa as pernas. Há alguns cuidados próprios da raça. Use sempre peitoral em vez de coleira: a pressão no pescoço agrava o colapso traqueal, a que a raça é predisposta. Evite esforços excessivos e saltos de sofás e camas altas, sobretudo em cachorros, porque um corpo com pouco mais de 3 kg magoa-se com facilidade. E no verão português passeie nas horas mais frescas: um cão tão pequeno anda muito perto do alcatrão quente, e o golpe de calor está na lista de problemas que o clube norte-americano da raça pede aos tutores que vigiem.

Treino

Treino do Yorkshire Terrier

É inteligente e aprende bem, mas pode ser teimoso, como muitos terriers. O treino deve ser consistente, positivo e com regras claras desde cedo; sessões curtas, de poucos minutos, com recompensas pequenas, funcionam melhor do que repetições longas. Há três prioridades próprias da raça. A primeira é a higiene: uma rotina fixa de saídas, logo depois das refeições e das sestas, com recompensa imediata, é o que mais ajuda o cachorro a aprender onde fazer as necessidades. A segunda é o controlo da vocalização: recompensar o silêncio funciona melhor do que ralhar com um cão que já está a ladrar. A terceira é o manuseamento: habituar o cachorro, desde as primeiras semanas em casa, a ser escovado, a ter os dentes limpos, as unhas cortadas e os ouvidos vistos, porque vai passar por tudo isto a vida inteira. A socialização precoce, com pessoas, sons, outros cães calmos e visitas ao veterinário, ajuda a reduzir o medo, a reatividade e os comportamentos possessivos. E vale a pena tratá-lo como um cão: pedir-lhe que ande pelo próprio pé e cumpra as mesmas regras que se pediriam a um cão maior.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Yorkshire Terrier

Como é uma raça de porte muito pequeno, beneficia de uma ração adaptada ao tamanho da boca e às necessidades energéticas de um cão com cerca de 3 kg. Deve comer porções pequenas e regulares, com atenção aos petiscos: num corpo tão pequeno, poucas dezenas de gramas a mais já são uma fração importante do peso, e o excesso de peso agrava o colapso traqueal. Nos cachorros, as refeições frequentes são também uma questão de segurança. Entre as 5 e as 16 semanas, os Yorkshire são propensos a hipoglicemia, e um cachorro invulgarmente sonolento ou fraco precisa de ser visto pelo veterinário de imediato; por isso, nesta fase, as refeições devem ser pequenas e frequentes. Ao longo de toda a vida, a saúde oral pesa na alimentação: gengivas inflamadas ou dentes doridos podem levar o cão a comer menos ou a recusar a ração seca, e qualquer mudança de apetite num Yorkshire deve levar a olhar-lhe primeiro para a boca. Os snacks dentários podem ajudar, mas não substituem a escovagem. Nos cães com shunt portossistémico, a dieta faz parte do tratamento e deve ser definida pelo veterinário.

História

História do Yorkshire Terrier

O Yorkshire Terrier surgiu no norte de Inglaterra em meados do século XIX; segundo o padrão da FCI, foi visto pela primeira vez por volta de 1850, na mesma região que deu origem ao Airedale Terrier. Na sua base estão operários escoceses que se mudaram para os condados de Yorkshire e Lancashire para trabalhar nas minas e nas fábricas têxteis, e que trouxeram consigo os seus terriers, entre eles os de Paisley e de Clydesdale. Cruzados com o velho Black and Tan Terrier e, segundo o padrão, com raças como o Maltês e o Skye Terrier, deram um cão pequeno usado para controlar os ratos nas fábricas e nas minas. O nome atual foi aceite em 1870, numa altura em que um cão definiu a raça: Huddersfield Ben, nascido por volta de 1865, ganhou 74 prémios em exposições e é reconhecido como o reprodutor fundador. Pesava entre 4 e 5,5 kg, mas produzia descendentes com menos de 3,2 kg, o peso que então se pedia em concurso. O primeiro registo no American Kennel Club data de 1885. Com o tempo, a raça passou das fábricas para os salões e tornou-se o cão de colo das senhoras vitorianas, sem perder o temperamento determinado e vigilante dos antepassados. Na Segunda Guerra Mundial ganhou uma heroína improvável: Smoky, uma Yorkshire de 1,8 kg encontrada em 1944 num abrigo abandonado na Nova Guiné, acompanhou um esquadrão de reconhecimento da força aérea norte-americana, puxou um cabo de telégrafo por um tubo de cerca de 21 metros num aeródromo nas Filipinas e é considerada o primeiro cão de terapia registado.

Problemas de saúde

Yorkshire Terrier têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 11-15 anos

Luxação da rótula

A rótula sai do sulco onde devia deslizar, quase sempre para o lado de dentro do joelho. É um problema de desenvolvimento de todo o membro posterior, e o Yorkshire é das raças mais afetadas: nos registos da OFA norte-americana, cerca de 26% dos exemplares avaliados tinham a doença. O sinal típico é um cão que, a meio de um passeio, dá alguns passos aos saltos com uma pata traseira levantada e depois volta a apoiá-la normalmente; nos casos em que as duas patas são afetadas, o andar fica arqueado e difícil. Classifica-se em quatro graus, do 1 (a rótula só sai quando é empurrada) ao 4 (fica permanentemente fora do lugar). O tratamento depende do grau e pode ir até à cirurgia; com o tempo, a doença leva a artrose. A origem é provavelmente hereditária e envolve vários genes, pelo que não se deve criar com cães afetados. O programa de saúde norte-americano da raça (CHIC) exige o exame das rótulas aos reprodutores: peça ao criador o resultado dos pais.

Colapso traqueal

Os anéis de cartilagem da traqueia enfraquecem e o tubo achata-se durante a respiração, dificultando a passagem do ar. Afeta sobretudo raças pequenas, entre elas o Yorkshire, e costuma surgir entre os 4 e os 14 anos. O sinal característico é uma tosse seca e áspera, muitas vezes comparada ao grasnar de um ganso, que piora com a excitação, o calor, a humidade, ao comer ou beber e com a pressão de uma coleira no pescoço. O diagnóstico faz-se com radiografias, fluoroscopia ou endoscopia, e é preciso excluir doença cardíaca, que pode coexistir. A doença é progressiva e a cartilagem não recupera, mas os sinais controlam-se: manter o peso certo, usar peitoral em vez de coleira, evitar fumo de tabaco e outros irritantes em casa, prevenir a excitação excessiva e, quando o veterinário o indicar, medicação para a tosse e a inflamação, muitas vezes para toda a vida.

Doença periodontal

É o problema de saúde mais comum na raça. Num estudo publicado em 2019 que acompanhou Yorkshire Terriers jovens, 98% já tinham periodontite inicial em pelo menos um dente às 37 semanas de idade, antes de completarem um ano. A boca pequena favorece a acumulação de placa, que inflama as gengivas e vai destruindo o suporte do dente; sem tratamento, leva a mau hálito, dor e perda de dentes. A raça tem ainda muitos dentes de leite que não caem: num estudo com 61 cachorros, 69% tinham pelo menos um, com risco muito maior nos cães mais leves, de 3 kg ou menos. Um dente de leite retido ao lado do definitivo acumula placa, e a maioria teve de ser extraída sob anestesia. O que ajuda: escovar os dentes todos os dias desde cachorro, pedir ao veterinário que vigie a troca de dentição entre os 2 e os 7 meses e fazer limpezas profissionais quando ele as indicar.

Shunt portossistémico

É uma alteração congénita em que um vaso sanguíneo anómalo desvia o sangue que vem dos intestinos diretamente para a circulação geral, sem passar pelo fígado, que fica assim sem filtrar toxinas. Nas raças pequenas como o Yorkshire, esse vaso fica geralmente fora do fígado (shunt extra-hepático). Os sinais aparecem normalmente até aos 1 a 2 anos: um cão pequeno para a idade, que cresce pouco, que demora muito a recuperar de uma anestesia, ou que mostra sinais neurológicos como apatia, falta de coordenação, andar às voltas, encostar a cabeça às paredes ou convulsões; cerca de um terço tem também vómitos ou diarreia. O diagnóstico começa com uma análise aos ácidos biliares no sangue, que estão elevados na maioria dos casos. O tratamento de eleição é cirúrgico, fechando o vaso anómalo, e o prognóstico depois da cirurgia é geralmente favorável; até lá, dieta e medicação definidas pelo veterinário controlam os sinais. Como o padrão da FCI lembra, só cães clinicamente saudáveis devem ser usados na reprodução.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

5

Nível de guarda

4

Brincalhão

4

Adaptabilidade

5

Necessidades sociais

4

Temperamento

Vivo, corajoso, afetuoso e vigilante

Inteligência

4

Bom com outros cães

3

Bom com gatos ou outros animais

3

Amigável com estranhos

3

Bom como cão de serviço

2

Bom para apartamentos

5

Nível de latido

4

Aparência

Altura

18-20 cm

Tamanho

Pequeno

Cores

Azul-aço e dourado-fogo

Textura do pelo

Sedoso e fino

Comprimento do pelo

Longo (ou curto por manutenção)

Treino

Facilidade de treino

4

Exercício

Necessidades de exercício

2

Tempo de exercício

Até 30 minutos por dia

Necessidades de exercício mental

3

Atividades favoritas

Passeios curtos, jogos de procura, truques e brinquedos interativos

Higiene

Necessidades de higiene

5

Frequência de escovagem

Diária (ou várias vezes por semana com corte curto)

Precisa de higiene profissional?

Sim

Nível de baba

1

Problemas de Saúde

Luxação da rótula

Colapso traqueal

Doença periodontal

Shunt portossistémico

Outros

Criado para

Controlo de roedores e companhia

País de origem

Reino Unido

Nível de popularidade

4