Conhece a raça

Epagneul Breton

Raça Epagneul Breton

O mais pequeno dos cães de parar, com o motor do maior deles.

Caçador francês compacto e infatigável, doce com a família e absolutamente dependente de trabalho a sério.

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Energia Muito Alta

Nível de energia

5/5

Manutenção Baixa

Higiene

2/5

Médio

Tamanho

Doce, sensível, enérgico, cooperante

Temperamento

12-14 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Muito Fácil

Treino

5/5

Vocalidade Média

Latido

3/5

Porque as pessoas adoram Epagneul Breton

Porque as pessoas adoram os Epagneuls Bretons

Faz o trabalho de um cão de parar grande num corpo de 14 a 18 kg, o que o torna mais fácil de transportar, alimentar e alojar do que um perdigueiro ou um setter. O padrão da FCI descreve-o como um cão que se adapta a qualquer ambiente, sociável e mentalmente equilibrado, e é isso que os donos encontram: entusiasmado no campo, meigo e tranquilo em casa quando cumpriu o exercício. É precoce — a paixão pela caça revela-se cedo — e aprende com uma facilidade que surpreende quem vem de raças mais teimosas. Quem caça gosta dele por ser polivalente: o padrão pede um cão para qualquer caça em qualquer terreno, do mato fechado da galinhola às restolhadas da perdiz. Quem não caça encontra nele um parceiro para trilhos, canicross e desportos caninos. O pelo dá pouco trabalho e, segundo o AKC, a raça tem poucos problemas de saúde hereditários. Para caçadores que também querem um cão dentro de casa, é uma escolha difícil de bater.

Aparência

Aparência do Epagneul Breton

Cão compacto e quadrado — o comprimento do corpo, da ponta do ombro à ponta da nádega, é igual à altura ao garrote —, de construção sólida mas nada pesada. O padrão da FCI fixa a altura dos machos entre 48 e 51 cm (ideal 49 a 50 cm) e a das fêmeas entre 47 e 50 cm (ideal 48 a 49 cm), com 1 cm de tolerância para cada lado; o peso anda tipicamente pelos 14 a 18 kg. A cabeça é ligeiramente arredondada, com o crânio mais comprido do que o focinho na proporção de 3 para 2, um stop moderado e uma trufa grande, de narinas bem abertas. Os olhos, ligeiramente oblíquos e de cor a condizer com a pelagem, juntam-se à base das orelhas erguida em atenção para dar a chamada «expressão bretã». As orelhas são de inserção alta, triangulares e bastante curtas, com pelo ondulado na parte de cima. O pelo é fino mas não sedoso, liso ou com um leve ondulado, nunca encaracolado, com franjas na parte de trás dos membros. As cores admitidas são branco e laranja, branco e preto, e branco e fígado (castanho), em manchas, ruão ou mosqueado, e as respetivas tricolores com marcas fogo; uma pelagem de cor única não é admitida. Muitos nascem sem cauda ou com uma cauda naturalmente muito curta.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Epagneul Breton

Escovagem uma a duas vezes por semana, com uma escova macia ou uma luva de borracha, e uma passagem de pente pelas franjas chegam para manter o pelo em ordem e controlar a queda, que é moderada. As franjas das orelhas e das patas emaranham-se com facilidade em quem anda no mato e devem ser verificadas depois de cada saída, tal como os espaços entre os dedos, onde entram aristas de gramíneas — as espigas secas que no verão português se cravam na pele, nos ouvidos e no nariz. As orelhas caídas exigem inspeção da face interna e limpeza semanal. As unhas cortam-se mais ou menos uma vez por mês, se o cão não as gastar sozinho em terreno duro. Banho, só quando é preciso. Não precisa de tosquia nem de grooming profissional; nas exposições faz-se apenas um ligeiro acerto do pelo na cabeça e no pescoço.

Temperamento e Características

Temperamento do Epagneul Breton

Doce, sensível e muito ligado ao dono, com uma vontade de agradar rara entre cães de caça. O padrão da FCI pede um cão sociável, de expressão inteligente e atenta, mentalmente equilibrado, e trata a timidez como defeito e a apatia como defeito grave — a seleção sempre procurou um cão confiante e com iniciativa. Na prática, é sociável com estranhos e com outros cães, brincalhão com crianças e nada agressivo; como cão de guarda vale pouco. A contrapartida da doçura é a sensibilidade: reage mal a vozes altas e a métodos duros, e há linhas mais tímidas que precisam de socialização cuidada desde cachorro. Com gatos pode dar-se bem se crescer com eles, mas é um cão de caça de aves, e as galinhas e os coelhos do quintal despertam-lhe o instinto. Em casa, quando está cansado, é calmo e procura contacto; quando não está, inventa ocupações. Não tolera ficar sozinho durante horas nem viver sem exercício — nessas condições torna-se destrutivo, hiperativo e ladrador. É, acima de tudo, um cão que quer estar onde a família está, e não um cão de quintal.

Exercício

Necessidades de Exercício do Epagneul Breton

É das raças mais exigentes que há: o Royal Kennel Club aponta para mais de duas horas de exercício por dia, e isso quer dizer corrida livre e ocupação para o nariz, não apenas passeio. Um passeio à trela pelo bairro não faz sequer aquecimento. O padrão descreve um galopador: no campo anda sobretudo a galope curto e rápido, a varrer o terreno à procura de caça, e é esse esforço que o corpo espera. Caça, canicross, trilhos de montanha, agility, flyball e trabalho de faro são o que o satisfaz; o AKC acrescenta o dock diving e as provas de velocidade. Fora da época de caça, que em Portugal se concentra no outono e no inverno, o exercício tem de continuar na mesma — a maioria dos problemas de comportamento nesta raça resolve-se com mais atividade e não com mais treino. Nos meses quentes, as saídas fazem-se de manhã cedo ou ao fim do dia, com água sempre à mão, porque um cão com esta vontade não para sozinho quando aquece demais. Durante o crescimento, até ao fim do primeiro ano, convém evitar o exercício repetitivo de impacto — corridas longas em piso duro, saltos — e preferir a brincadeira livre em terreno macio. A soltura sem trela pede uma chamada fiável, treinada cedo: com o nariz ligado, afasta-se depressa.

Treino

Treino do Epagneul Breton

Aprende depressa e com prazer, e é dos cães de parar mais fáceis de iniciar: o padrão da FCI descreve-o como precoce a revelar a paixão pela caça, e muitos cachorros esboçam o parar muito novos. O reforço positivo é obrigatório — o AKC recomenda um treino paciente e encorajador para estas «almas gentis» — e um corretivo excessivo pode arruinar a confiança de um cachorro durante meses. A cobrança e a manutenção do contacto com o caçador treinam-se com naturalidade. Para quem caça, a habituação ao tiro faz-se aos poucos e começando à distância, antes de qualquer jornada a sério. Para quem não caça, a obediência, o agility e o trabalho de faro dão a mesma ocupação mental. Em casa, as prioridades são a chamada, o controlo do entusiasmo à chegada de visitas e a habituação progressiva à solidão, começando por ausências curtas. Sessões curtas e variadas rendem mais do que sessões longas e repetitivas.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Epagneul Breton

Em época de caça gasta muitíssimo e precisa de ração de alta densidade energética, própria para cães desportivos, repartida por duas refeições e nunca imediatamente antes da jornada. Fora da época, a mesma quantidade engorda — o AKC avisa que alguns exemplares tendem a ganhar peso e que os biscoitos de treino também contam —, por isso o ajuste sazonal é essencial. Convém pesar o cão com regularidade e manter as costelas palpáveis sob uma camada fina de gordura, com a cintura visível de cima; num cão de 14 a 18 kg, um ou dois quilos a mais já pesam nas articulações e na resistência. Os cachorros comem ração de crescimento até perto do ano de idade, repartida por mais refeições nos primeiros meses. A hidratação em jornadas quentes é o outro ponto crítico, sobretudo no sul do país: água antes, durante e depois do trabalho, em pequenas quantidades de cada vez. Depois de uma jornada intensa, a refeição principal dá-se só quando o cão já arrefeceu e descansou. Uma dieta caseira deve ser feita com acompanhamento veterinário.

História

História do Epagneul Breton

Vem do centro da Bretanha, no noroeste de França, e o padrão da FCI considera-o provavelmente um dos mais antigos cães de tipo spaniel. Pequenos cães de parar de tipo bretão aparecem já em pinturas e tapeçarias do século XVII, e há várias hipóteses para a sua origem — dos «chiens d'oysel» descritos na Idade Média por Gaston Fébus aos cães locais da região de Callac, hoje apelidada de capital do Epagneul Breton. O Royal Kennel Club regista que, no século XIX, esses spaniels locais receberam sangue de setter inglês e de pointer, que lhes apurou o faro e o parar. O tipo moderno foi fixado no início do século XX, por cruzamentos e seleção. Em 1907 nasceu em Loudéac o clube da raça, impulsionado pelo jurista Arthur Énaud, com o nome de Clube do Epagneul Breton de Cauda Naturalmente Curta, e o primeiro padrão — esboçado em Nantes nesse ano — foi aprovado na primeira assembleia geral, a 7 de junho de 1908. Durante décadas o preto não foi admitido; todas as combinações de cor passaram a ser aceites em 1956. Chegou aos Estados Unidos em 1931, onde o AKC o registou como «Spaniel, Brittany» de 1934 até 1982, ano em que a palavra spaniel caiu do nome. É hoje a raça de caça mais numerosa de França.

Problemas de saúde

Epagneul Breton têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 12-14 anos

Displasia da Anca

Malformação hereditária da articulação da anca que leva a desgaste e a artrose precoce. É o problema hereditário mais documentado na raça: das 23 827 radiografias de Epagneul Breton avaliadas pela OFA norte-americana, 13,8% foram classificadas como displásicas — e são resultados enviados voluntariamente, o que tende a deixar de fora os piores casos. Mostra-se por dificuldade em levantar-se, rigidez depois do descanso, relutância em saltar ou um andar «aos saltinhos» com os posteriores, às vezes já no primeiro ano. O clube da raça americano e o Royal Kennel Club recomendam a radiografia oficial das ancas aos reprodutores: peça os resultados dos dois pais. Num cachorro, evitar o excesso de peso e o exercício de impacto durante o crescimento reduz o risco de agravamento.

Doenças Oculares Hereditárias

O clube da raça americano recomenda um exame oftalmológico aos reprodutores. Nos 2148 exames de Epagneul Breton registados pela OFA, as alterações mais frequentes foram cataratas de significado incerto (cerca de 5%) e distiquíase (1,4%) — pestanas que crescem na margem da pálpebra e podem irritar a córnea. A atrofia progressiva da retina (PRA), uma degeneração da retina que leva à cegueira, existe mas é rara: três casos em mais de dois mil exames. Sinais a vigiar são olhos turvos, lacrimejo, piscar frequente ou um cão que começa a chocar com objetos ao anoitecer. Peça o exame ocular dos pais, de preferência recente, porque algumas alterações só aparecem com a idade.

Otites

As orelhas caídas e o trabalho no mato favorecem infeções e, sobretudo, a entrada de aristas de gramíneas no canal auditivo. Os sinais são abanar a cabeça, coçar a orelha, inclinar a cabeça para um lado, mau cheiro ou secreção. Uma arista no ouvido é motivo para ir ao veterinário no próprio dia: não sai sozinha e pode avançar até ao tímpano. A inspeção da face interna da orelha depois de cada jornada e a limpeza semanal são a melhor prevenção. Não é uma doença hereditária, por isso não há rastreio nos reprodutores.

Degeneração Espinocerebelar

Doença neurológica rara, descrita em Epagneuls Bretons idosos: num estudo publicado em 1998 na Acta Neuropathologica, oito cães entre os 7 e os 14 anos desenvolveram uma descoordenação progressiva, com um movimento exagerado dos membros anteriores «em continência», passos demasiado altos com os posteriores e tremores de intenção, que avançou ao longo de meses a anos. A causa não foi determinada e não existe teste genético, por isso não há rastreio possível nos reprodutores. Um cão idoso que começa a desequilibrar-se deve ser visto pelo veterinário, de preferência numa consulta de neurologia, para excluir causas tratáveis.

Lesões Musculoesqueléticas

Entorses, roturas do ligamento cruzado e cortes nas almofadas plantares são frequentes num cão que corre durante horas em terreno acidentado, com pedra, mato e silvas. Um cão que coxeia depois de uma jornada e não melhora em um ou dois dias deve ser visto pelo veterinário — uma rotura do ligamento cruzado, por exemplo, raramente se resolve sem tratamento. Manter o cão em forma fora da época de caça, em vez de o passar do sofá para jornadas inteiras, é a melhor prevenção. Não são lesões hereditárias e não há rastreio.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

5

Nível de guarda

2

Brincalhão

5

Adaptabilidade

3

Necessidades sociais

5

Temperamento

Doce, sensível, enérgico, cooperante

Inteligência

5

Bom com outros cães

5

Bom com gatos ou outros animais

3

Amigável com estranhos

4

Bom como cão de serviço

3

Bom para apartamentos

1

Nível de latido

3

Aparência

Altura

46-52 cm

Tamanho

Médio

Cores

Branco e laranja, Branco e castanho, Branco e preto, Tricolor

Textura do pelo

Fino, liso ou ligeiramente ondulado

Comprimento do pelo

Curto a médio

Treino

Facilidade de treino

5

Exercício

Necessidades de exercício

5

Tempo de exercício

2 horas

Necessidades de exercício mental

5

Atividades favoritas

Caça, trabalho de faro, canicross, trilhos longos

Higiene

Necessidades de higiene

2

Frequência de escovagem

1-2 vezes por semana

Precisa de higiene profissional?

Não

Nível de baba

1

Problemas de Saúde

Displasia da Anca

Doenças Oculares Hereditárias

Otites

Degeneração Espinocerebelar

Lesões Musculoesqueléticas

Outros

Criado para

Caça de parar e cobrança

País de origem

França

Nível de popularidade

4