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Cão de São Bernardo

Raça Cão de São Bernardo

Um gigante criado para salvar pessoas na neve — e para dormir a sesta ao teu lado.

Cão de salvamento alpino, calmo e tolerante com crianças, com o tamanho e os custos que isso implica.

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Energia Baixa

Nível de energia

2/5

Manutenção Alta

Higiene

4/5

Gigante

Tamanho

Calmo, amistoso, paciente, tolerante

Temperamento

8-10 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Média

Treino

3/5

Vocalidade Baixa

Latido

2/5

Porque as pessoas adoram Cão de São Bernardo

Porque as pessoas adoram os Cães de São Bernardo

É difícil encontrar um cão mais paciente. O São Bernardo é sereno dentro de casa, extraordinariamente tolerante com crianças e sem a energia nervosa de muitas raças grandes — passa boa parte do dia deitado, de preferência num sítio de onde veja a família. O padrão da raça descreve-o como amigável por natureza, de temperamento calmo a vivo e atento, e é essa mistura que os donos reconhecem: dá pelo que se passa à volta sem fazer disso um drama. O olhar e a expressão são desarmantes, e a ligação à família é total: é um cão que quer estar sempre onde as pessoas estão. Há também a história, que poucas raças igualam — é o cão nacional da Suíça e o símbolo do salvamento em montanha. Para quem tem espaço, um carro onde caiba e aceita o compromisso, dá um dos companheiros mais afetuosos que há.

Aparência

Aparência do Cão de São Bernardo

Cão gigante e maciço, de corpo musculado e um pouco mais comprido do que alto (a proporção ideal é de 9 para 10). O padrão FCI pede entre 70 e 90 cm ao garrote nos machos e entre 65 e 80 cm nas fêmeas; não fixa peso, mas o AKC aponta 64 a 82 kg nos machos e 54 a 64 kg nas fêmeas. A cabeça é larga e imponente, com stop marcado, olhos castanho-escuros de expressão amigável e uma testa que forma rugas ligeiras quando o cão está atento. O padrão pede pálpebras naturalmente justas — um olho muito descaído não é tipicidade, é um defeito com custos para a saúde. Existem duas variedades: pelo curto (pelo de cobertura denso e rente, com muito subpelo) e pelo comprido (liso, de comprimento médio, ondulado na garupa, com franjas nos membros e cauda farta). A cor de base é sempre branca, com manchas vermelhas mais ou menos extensas até um manto vermelho contínuo ou interrompido sobre o dorso; o vermelho-acastanhado tigrado é permitido e o amarelo-acastanhado tolerado. O branco é obrigatório no peito, patas, ponta da cauda, focinho, lista na testa e nuca; a máscara escura simétrica é desejada.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Cão de São Bernardo

As duas variedades têm subpelo abundante e largam muito pelo, sobretudo nas mudas. Escovar pelo menos três vezes por semana mantém a muda sob controlo; nas épocas de muda, todos os dias. A de pelo comprido exige mais atenção atrás das orelhas, nas franjas e nos "calções" das coxas, onde se formam nós. A baba é a característica com que mais gente não conta: é permanente e generosa, e o cão bebe muita água, por isso convém ter panos à mão e um tapete por baixo da tigela. As pregas dos lábios e da face acumulam humidade e são um local clássico de dermatite, pelo que devem ser limpas e secas regularmente; as orelhas caídas precisam de inspeção semanal. Os olhos merecem um olhar diário — lacrimejar, vermelhidão ou um olho semicerrado são motivo de consulta. O banho de um cão de 70 kg é um exercício logístico, muitas vezes feito por profissionais.

Temperamento e Características

Temperamento do Cão de São Bernardo

Calmo, amistoso e notavelmente equilibrado. O padrão FCI resume-o como amigável por natureza, de temperamento calmo a vivo e vigilante, e classifica-o como cão de companhia, de guarda e de quinta — não como cão de proteção. Raramente se altera e tolera com enorme paciência a agitação das crianças, embora o tamanho o torne perigoso por acidente com crianças muito pequenas, que derruba sem se aperceber; a supervisão é obrigatória. É atento e ladra quando alguém chega, mas sem a desconfiança dos grandes cães de guarda de gado. Com outros cães e com gatos dá-se em geral bem quando foi socializado em cachorro. Sofre a sério com a solidão e não se adapta a viver isolado no quintal: é um cão de dentro de casa, que precisa de companhia durante o dia. O calor é o seu maior inimigo — o pelo denso e impermeável que o protegia nos Alpes trabalha contra ele no verão português. Precisa de sombra, chão fresco, água sempre disponível e passeios só nas horas frescas.

Exercício

Necessidades de Exercício do Cão de São Bernardo

Ao contrário do que o tamanho sugere, precisa de pouco: pelo menos uma hora por dia em adulto, repartida entre um passeio mais longo e uns curtos, com tempo para farejar e brincar num espaço seguro. É um cão de resistência tranquila, não de velocidade — gosta de caminhar, não de correr ao lado de uma bicicleta. O que não pode é ficar sedentário, porque o excesso de peso destrói articulações que já suportam muito. Nos primeiros dezoito meses o exercício tem de ser cuidadosamente doseado: nada de escadas repetidas, saltos ou corrida em piso duro enquanto as placas de crescimento estão abertas, e deixar o cachorro parar quando quer. Em Portugal, entre junho e setembro, os passeios fazem-se ao início da manhã e ao fim do dia, e um cão que arfa muito, se deita e não quer continuar está a avisar de que tem calor a mais. Puxar um pequeno carro, caminhadas em terreno macio e brincar em água fria são atividades adequadas ao adulto. Um quintal grande não substitui o passeio, e a vedação tem de ser sólida: é um cão que dá com o ponto fraco de uma cerca.

Treino

Treino do Cão de São Bernardo

Aprende sem dificuldade e quer agradar, mas é ponderado e por vezes teimoso — não espere a rapidez de um Border Collie, e conte com repetições curtas e frequentes em vez de sessões longas. O treino tem de estar consolidado enquanto ainda é possível conter fisicamente o cão: andar à trela sem puxar, sentar para cumprimentar e largar objetos são prioridades antes dos seis meses, porque um adulto de 70 kg que puxa à trela é ingovernável. A socialização precoce é obrigatória — pessoas, crianças, outros cães, carros, ruído — tal como ensinar desde cachorro a não saltar para cima das pessoas, um comportamento que parece engraçado aos 15 kg e é perigoso aos 60. Habituar o cachorro a deixar mexer na boca, nas orelhas, nos olhos e nas patas facilita a vida a quem o vai tratar durante dez anos. O reforço positivo funciona bem; métodos duros são contraproducentes numa raça sensível como esta e criam um gigante desconfiado.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Cão de São Bernardo

O crescimento é a fase mais delicada da vida de um São Bernardo, que ganha quase todo o seu tamanho adulto no primeiro ano e meio. Uma ração específica para cachorros de raças gigantes, com níveis controlados de cálcio e energia, ajuda a evitar que o esqueleto cresça depressa de mais — e acrescentar suplementos de cálcio a uma ração completa é um erro, não um cuidado extra. Um cachorro deve crescer magro, com as costelas fáceis de sentir. Em adulto, come menos do que a maioria das pessoas imagina para o tamanho que tem, e o controlo do peso é a medida de saúde mais importante que se pode tomar: cada quilo a mais carrega ancas, cotovelos e ligamentos que já são o ponto fraco da raça. Pesar o cão regularmente e ajustar a dose ao peso real, e não à tabela do saco, é um bom hábito. Duas ou três refeições diárias, nunca uma só e nunca seguidas de exercício intenso, pelo risco elevado de torção gástrica; água sempre fresca e em quantidade, porque bebe muito.

História

História do Cão de São Bernardo

O hospício do Grande São Bernardo foi fundado por monges no século XI, a 2469 metros de altitude, na passagem alpina entre a Suíça e a Itália, para abrigar viajantes e peregrinos. Segundo o padrão FCI, mantinham ali grandes cães de montanha desde meados do século XVII, para guarda e proteção — há imagens desde 1695 e um registo escrito no hospício em 1707. Os antepassados diretos eram os grandes cães de quinta da região, e cedo passaram a acompanhar viajantes e a encontrar quem se perdia na neve e no nevoeiro. O mais famoso, Barry, trabalhou no hospício de cerca de 1800 a 1812, terá salvo mais de quarenta vidas e morreu em Berna em 1814; está exposto no Museu de História Natural da cidade. Era bem mais leve do que o São Bernardo atual. No século XIX houve cruzamentos com Terra Nova, que trouxeram o pelo comprido — pouco prático na montanha, onde o gelo se agarrava a ele. O barril de aguardente ao pescoço é invenção de um quadro de Edwin Landseer, de 1820, e os monges negam que alguma vez tenha existido. Em 1884, o primeiro cão inscrito no livro de origens suíço foi um São Bernardo, e em 1887 a raça foi reconhecida oficialmente; é hoje o cão nacional da Suíça. Em Portugal tem clube próprio, o Clube Português do Cão de São Bernardo.

Problemas de saúde

Cão de São Bernardo têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 8-10 anos

Displasia da Anca e do Cotovelo

A articulação desenvolve-se com encaixe imperfeito e acaba em artrose. É muito frequente: num estudo de 27 hospitais veterinários universitários norte-americanos, o São Bernardo foi a segunda raça com mais displasia da anca (14,7% dos casos, contra 3,5% no conjunto dos cães). Manifesta-se por dificuldade em levantar-se, andar bamboleante ou coxear depois do esforço. Os pais devem ter radiografias oficiais de anca e cotovelo; no cachorro, controlo rigoroso do peso e exercício doseado durante o crescimento fazem diferença real.

Rotura do Ligamento Cruzado

O ligamento que estabiliza o joelho cede, por vezes de forma progressiva, e o cão começa a coxear de uma pata traseira, muitas vezes sem episódio de trauma. A raça tem mais casos do que a média, e o peso agrava-o. Em cães deste tamanho a solução é quase sempre cirúrgica; manter o cão magro e com músculo é a melhor prevenção ao alcance do dono.

Torção Gástrica (Dilatação-Volvo)

O estômago dilata com gás e roda sobre si próprio, cortando a circulação. O São Bernardo é uma das raças de maior risco. Sinais: barriga a inchar, tentativas de vomitar sem sucesso, inquietação e salivação ainda maior do que o habitual. É uma emergência absoluta, em que cada hora conta. Dividir a comida em duas ou três refeições e evitar exercício intenso à volta delas reduz o risco; vale a pena perguntar ao veterinário pela gastropexia preventiva, que pode ser feita na altura da esterilização.

Osteossarcoma

Tumor ósseo maligno com incidência acima da média em raças gigantes, e com componente hereditária descrita no São Bernardo. Aparece sobretudo nos ossos longos dos membros de cães adultos e começa por uma claudicação que não passa ou um inchaço doloroso. Qualquer coxeira persistente num cão adulto deve ser radiografada sem demora, em vez de ser tratada só com anti-inflamatórios.

Entrópio e Ectrópio

Num olho com a fenda palpebral demasiado comprida, a pálpebra inferior enrola para dentro (entrópio) e as pestanas raspam na córnea, ou descai para fora (ectrópio) e deixa o olho exposto e seco. No São Bernardo surgem muitas vezes juntos, no chamado "olho em diamante". Um estudo de registos veterinários no Reino Unido pôs a raça entre as três com mais ectrópio. Sinais: lacrimejo, olho vermelho, secreção, piscar ou semicerrar o olho, úlceras de córnea. Casos ligeiros controlam-se com higiene e lubrificantes; os moderados a graves resolvem-se com cirurgia. O padrão FCI pede pálpebras naturalmente justas, e um bom criador seleciona nesse sentido e não para o olho descaído.

Cardiomiopatia Dilatada

O músculo cardíaco enfraquece, o coração dilata e bombeia cada vez pior até à insuficiência cardíaca. Num estudo norte-americano de registos veterinários, 2,6% dos São Bernardo tinham a doença, contra 0,2% dos cães sem raça definida; numa série inglesa de 369 casos, os São Bernardo foram 20, sobretudo machos, e a maioria chegou à consulta já com fibrilhação auricular, uma arritmia. Pode passar despercebida durante anos; depois surgem cansaço fácil, tosse, respiração acelerada em repouso, barriga inchada ou desmaios. A auscultação no exame anual é o mínimo, e um eletrocardiograma ou ecocardiograma a partir da idade adulta permite começar o tratamento mais cedo. Não há teste genético para esta forma.

Paralisia da Laringe e Polineuropatia (LPPN)

Doença hereditária dos nervos periféricos, descrita no São Bernardo e no Leonberger, que surge em cães jovens ou de meia-idade. A laringe deixa de abrir bem: a respiração torna-se ruidosa, sobretudo com esforço ou calor, a voz muda e o cão cansa-se depressa; com o tempo aparecem fraqueza e falta de coordenação nas patas traseiras. Já se conhecem variantes genéticas associadas (LPN1 e LPPN3) e há testes de ADN, que os reprodutores devem fazer. Em casa, evitar o calor e usar peitoral em vez de coleira aliviam os sinais.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

5

Nível de guarda

3

Brincalhão

3

Adaptabilidade

2

Necessidades sociais

5

Temperamento

Calmo, amistoso, paciente, tolerante

Inteligência

3

Bom com outros cães

4

Bom com gatos ou outros animais

4

Amigável com estranhos

4

Bom como cão de serviço

3

Bom para apartamentos

1

Nível de latido

2

Aparência

Altura

65-90 cm

Tamanho

Gigante

Cores

Branco com manchas vermelhas, Manto vermelho, contínuo ou interrompido, Vermelho-acastanhado tigrado com branco, Amarelo-acastanhado com branco (tolerado)

Textura do pelo

Denso, liso ou ligeiramente ondulado

Comprimento do pelo

Curto ou comprido

Treino

Facilidade de treino

3

Exercício

Necessidades de exercício

2

Tempo de exercício

1 hora

Necessidades de exercício mental

2

Atividades favoritas

Passeios calmos, puxar carro ou trenó, neve e água fria

Higiene

Necessidades de higiene

4

Frequência de escovagem

3 vezes por semana; diária nas mudas

Precisa de higiene profissional?

Recomendado

Nível de baba

5

Problemas de Saúde

Displasia da Anca e do Cotovelo

Rotura do Ligamento Cruzado

Torção Gástrica (Dilatação-Volvo)

Osteossarcoma

Entrópio e Ectrópio

Cardiomiopatia Dilatada

Paralisia da Laringe e Polineuropatia (LPPN)

Outros

Criado para

Guarda e salvamento em montanha; hoje cão de companhia

País de origem

Suíça

Nível de popularidade

3