Conhece a raça

Bouvier Bernois

Raça Bouvier Bernois

Imponente no tamanho, doce no trato: o Bouvier Bernois é um guardião sereno e dedicado.

Entre a vocação de trabalho e o carinho com a família, destaca-se pela postura calma e pela lealdade profunda.

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Energia Média

Nível de energia

3/5

Manutenção Alta

Higiene

4/5

Grande

Tamanho

Calmo, leal, protetor, sensível

Temperamento

7-10 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Fácil

Treino

4/5

Vocalidade Baixa

Latido

2/5

Porque as pessoas adoram Bouvier Bernois

Porque as pessoas adoram o Bouvier Bernois

Esta raça conquista pelo contraste entre presença robusta e temperamento meigo. O padrão da raça descreve-o como bondoso e dedicado à sua gente, seguro e plácido perante estranhos e de temperamento médio — nem nervoso, nem apático. Na prática, o Bouvier Bernois costuma ser muito ligado ao núcleo familiar, paciente com crianças e atento ao que se passa à sua volta, sem a necessidade de atividade constante de um cão de pastoreio. Gosta de estar onde a família está, segue as pessoas de divisão em divisão e aprecia tarefas com propósito, do passeio diário a puxar uma pequena carroça. A expressão amigável, o padrão tricolor elegante e a personalidade estável fazem dele uma escolha muito procurada por quem quer um cão grande, protetor e afetuoso. O reverso, que convém saber antes de escolher: é uma raça de vida curta, e essa é a razão principal para escolher o criador com cuidado.

Aparência

Aparência do Bouvier Bernois

É um cão de trabalho de pelo comprido, tricolor, forte e ágil, acima do porte médio, de membros robustos e conjunto harmonioso. O padrão FCI pede um corpo mais compacto do que comprido — altura ao garrote e comprimento na proporção de 9 para 10 — e um peito largo e profundo que desce até aos cotovelos. Nos machos a altura vai de 64 a 70 cm (ideal 66–68 cm) e nas fêmeas de 58 a 66 cm (ideal 60–63 cm); fêmeas mais pequenas não são defeito, são a norma da raça. O pelo é comprido, brilhante, liso ou ligeiramente ondulado, com subpelo denso; pelo claramente encaracolado é falta. A cor é fixa: preto azeviche como base, castanho-fogo nas faces, por cima dos olhos, nas quatro patas e no peito, e branco numa lista simétrica na cabeça que desce até ao focinho, numa mancha contínua na garganta e no peito e, de preferência, nas patas e na ponta da cauda. Os olhos são castanho-escuros, amendoados e de pálpebras justas — pálpebras soltas são defeito. As orelhas são triangulares e caídas, e a cauda farta chega pelo menos aos jarretes.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Bouvier Bernois

A pelagem dupla e comprida perde pelo durante todo o ano e em quantidade durante a muda, pelo que a escovagem não é opcional: o Kennel Club britânico aponta para mais de uma sessão por semana, e 3 a 4 escovagens semanais, diárias na muda, mantêm o subpelo solto e evitam nós atrás das orelhas, nas calças e na cauda. Um ancinho de subpelo e uma escova de pinos chegam na maioria das casas; não é preciso tosquiar e não se deve rapar, porque o pelo protege a pele do sol e do frio. Banhos ocasionais, com secagem completa até à pele, evitam dermatites no subpelo húmido. As orelhas caídas devem ser verificadas semanalmente, as unhas aparadas e os dentes escovados regularmente. Habitue o cachorro desde cedo a ser escovado e manipulado — um adulto de 40 ou 50 kg que não aceita a escova torna a tarefa difícil para todos.

Temperamento e Características

Temperamento do Bouvier Bernois

O padrão FCI define o temperamento com precisão: autoconfiante, atento, vigilante e sem medo nas situações do dia a dia; bondoso e dedicado à sua gente; seguro e plácido perante estranhos; de temperamento médio e dócil. O comportamento inseguro é classificado como falta, o que diz muito sobre o que se espera da raça — um cão estável, não um cão nervoso nem agressivo. Em casa é geralmente calmo e afetuoso, com instinto de guarda herdado da quinta: avisa quando alguém chega, mas sem tendência para agressividade gratuita. Pode mostrar reserva inicial com desconhecidos e costuma aceitá-los depois de uma apresentação tranquila. Cria um vínculo muito próximo com a família e prefere participar na rotina doméstica a viver isolado no quintal; um Bouvier Bernois deixado sozinho muitas horas tende a ficar ansioso e a mostrá-lo. Com crianças é normalmente paciente, mas o tamanho e a força obrigam a supervisão com as mais pequenas, sobretudo enquanto o cão é jovem e desajeitado. A socialização precoce — pessoas, ruídos, outros animais, ambientes variados — é o que transforma esta estabilidade de raça num adulto verdadeiramente confiante.

Exercício

Necessidades de Exercício do Bouvier Bernois

Apesar do porte, não exige atividade extenuante: o Kennel Club britânico indica até uma hora de exercício por dia, repartida em passeios a ritmo moderado, brincadeira no quintal e algum estímulo mental. O que o Bouvier Bernois pede é regularidade e companhia, não quilómetros. Durante o crescimento, que numa raça deste tamanho se prolonga para lá do primeiro ano, deve evitar-se o impacto repetido — corridas ao lado da bicicleta, saltos, escadas em excesso e brincadeira desenfreada em piso escorregadio — para proteger ancas e cotovelos em formação. Em adulto, trilhos leves, obediência, pistagem e sobretudo a tração com carroça ligeira, que foi o seu trabalho original na Suíça, são boas formas de o ocupar; a tração deve ser introduzida gradualmente, com arnês próprio e só depois de o cão estar fisicamente maduro. O calor é o maior limite em Portugal: com a pelagem densa e escura, sofre facilmente no verão. Nos meses quentes, os passeios devem passar para o início da manhã e o fim do dia, com sombra e água sempre disponíveis e nenhum esforço nas horas de maior calor. Evite também exercício intenso logo antes e depois das refeições, pelo risco de torção gástrica.

Treino

Treino do Bouvier Bernois

Aprende bem quando o treino é calmo, consistente e positivo; o padrão descreve-o como dócil, e na prática responde melhor a recompensa e paciência do que a correções duras, que tendem a torná-lo inseguro. Amadurece devagar, tanto no corpo como na cabeça, por isso é comum um jovem de ano e meio já enorme mas ainda com comportamento de cachorro — paciência e repetição estruturada são essenciais. As prioridades iniciais são a socialização, o autocontrolo, a obediência funcional e a habituação a manipulação corporal para escovagem, veterinário e higiene. A marcha com trela sem puxar merece atenção desde os primeiros meses: um cão criado para puxar carroças, que em adulto pode passar dos 45 kg, não pode aprender que puxar resulta. O mesmo vale para não saltar para cima das pessoas, que num cachorro parece inofensivo e num adulto deixa de o ser. Aulas de grupo para cachorros ajudam a juntar treino e socialização. Por ser grande e forte, uma boa educação precoce é o que torna a convivência segura e agradável em todas as fases da vida.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Bouvier Bernois

Como raça grande, precisa de alimentação adaptada ao porte e à fase de vida. Em cachorro, a prioridade é um crescimento lento e regular: uma ração formulada para raças grandes, com o equilíbrio cálcio-fósforo certo, em quantidades medidas, sem suplementos de cálcio por iniciativa própria e sem deixar o cachorro engordar — o excesso de peso e o crescimento acelerado pesam sobre ancas e cotovelos ainda em formação. Em adulto, a dieta deve manter uma condição corporal magra, com as costelas fáceis de sentir sob o pelo, o que é mais difícil de avaliar numa pelagem tão farta do que parece; pesar o cão regularmente ajuda. Dividir a alimentação em duas ou mais refeições diárias, evitar que coma muito depressa e deixá-lo em repouso antes e depois de comer são as medidas habitualmente recomendadas para reduzir o risco de torção gástrica, a que os cães grandes de peito profundo estão predispostos. Guloseimas de treino contam para o total diário. O acompanhamento veterinário é importante para ajustar a quantidade à atividade e à idade, prevenir o excesso de peso e apoiar a longevidade.

História

História do Bouvier Bernois

Originário do cantão de Berna, na Suíça, o Bouvier Bernois é um cão de quinta de origem antiga, usado na região pré-alpina e nas terras médias em redor de Berna para guarda, tração e condução de gado. Era conhecido como «Dürrbächler», do nome da aldeia e da estalagem de Dürrbach, perto de Riggisberg, onde estes cães tricolores de pelo comprido eram especialmente numerosos, e ficou também associado ao transporte de leite e queijo em pequenas carroças. Pertence ao grupo dos Sennenhund, os cães de montanha suíços, com o Grande Boiadeiro Suíço, o Appenzeller e o Entlebucher, e é o único deles de pelo comprido. No início do século XX, exemplares foram apresentados em exposições em 1902, 1904 e 1907, e nesse último ano criadores da região de Burgdorf fundaram o Schweizerischer Dürrbach-Klub e fixaram as características da raça. Em 1910, numa exposição em Burgdorf, foram apresentados 107 exemplares. Figuras como Franz Schertenleib e o professor Albert Heim estiveram ligadas a esta fase. A FCI classifica-o hoje no Grupo 2, secção 3, a dos boieiros suíços. Rebatizado Berner Sennenhund, espalhou-se pela Suíça e pela Alemanha vizinha e hoje é conhecido em todo o mundo como cão de família.

Problemas de saúde

Bouvier Bernois têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 7-10 anos

Displasia da Anca e do Cotovelo

Malformações hereditárias das articulações, em que a anca ou o cotovelo não encaixam corretamente e se desgastam, levando a dor e artrose. O cotovelo é o ponto mais sensível nesta raça: os estudos publicados apontam prevalências de displasia do cotovelo entre cerca de 14% e 26%. Manifesta-se por claudicação, rigidez ao levantar, relutância em subir escadas ou saltar, e por vezes só na idade adulta. A predisposição é hereditária, mas o ambiente também conta: crescimento lento, peso magro e pouco impacto durante o crescimento reduzem a gravidade. O Kennel Club britânico considera essencial o rastreio radiográfico oficial das ancas e dos cotovelos dos progenitores, o clube americano da raça inclui-o nos testes mínimos recomendados, e é o primeiro resultado a pedir a um criador.

Torção Gástrica (Dilatação-Vólvulo)

Emergência em que o estômago se enche de gás e roda sobre si próprio, cortando a circulação; afeta sobretudo cães grandes de peito profundo, como o Bouvier Bernois. Os sinais surgem de repente: tentativas de vomitar sem conseguir, salivação, barriga dilatada e dura, inquietação e prostração. É uma situação de minutos a poucas horas — mesmo tratada, a mortalidade é de 20 a 45%, pelo que qualquer suspeita justifica ir de imediato ao veterinário de urgência. Para reduzir o risco, divida a comida em várias refeições, evite que coma à pressa e não faça exercício intenso à volta das refeições. A gastropexia preventiva, que fixa o estômago à parede abdominal, pode ser feita na mesma cirurgia da esterilização e reduz muito a probabilidade de torção; vale a pena discuti-la com o veterinário.

Histiocitose e outros Cancros

O cancro é o maior problema de saúde da raça e a principal razão da sua vida curta: num estudo holandês foi causa de 55% das mortes. O mais característico é o sarcoma histiocítico, um cancro agressivo das células do sistema imunitário que foi descrito primeiro nesta raça e que, segundo a literatura veterinária, pode atingir até um quarto dos Bouvier Bernois; surge sobretudo na meia-idade, por volta dos seis anos e meio em média. Os sinais iniciais são vagos — cansaço, falta de apetite, perda de peso — e juntam-se-lhes coxeira ou inchaço quando afeta ossos e articulações, ou tosse e dificuldade respiratória quando atinge os pulmões. Não existe tratamento eficaz, e o prognóstico é reservado. O que o dono pode fazer é não ignorar alterações subtis num cão de meia-idade e consultar cedo. Na criação, existe um teste genético de risco do laboratório francês Antagene, que o clube americano inclui entre os testes recomendados, e a longevidade das linhas familiares é um dado que um bom criador conhece e partilha.

Mielopatia Degenerativa

Doença progressiva da medula espinal, sem dor, que começa normalmente depois dos oito anos com fraqueza e falta de coordenação num dos membros posteriores: o cão arrasta as unhas, cruza as patas ou oscila ao andar. Evolui para os dois membros e, em seis meses a dois anos, pode levar à perda da marcha. Não tem cura; a fisioterapia, o exercício controlado e o apoio à mobilidade, como arneses e carrinhos, ajudam a manter qualidade de vida. Está associada a mutações no gene SOD1, com herança recessiva — e o Bouvier Bernois tem, além da variante comum a muitas raças, uma variante própria. Um teste de ADN classifica os reprodutores como livres, portadores ou em risco, e o clube americano da raça inclui-o nos testes mínimos recomendados, a par das ancas, dos cotovelos, dos olhos e do coração.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

5

Nível de guarda

4

Brincalhão

3

Adaptabilidade

3

Necessidades sociais

4

Temperamento

Calmo, leal, protetor, sensível

Inteligência

4

Bom com outros cães

4

Bom com gatos ou outros animais

4

Amigável com estranhos

3

Bom como cão de serviço

3

Bom para apartamentos

1

Nível de latido

2

Aparência

Altura

58-70 cm

Tamanho

Grande

Cores

Preto, Castanho-fogo, Branco (tricolor)

Textura do pelo

Denso, ligeiramente ondulado

Comprimento do pelo

Comprido

Treino

Facilidade de treino

4

Exercício

Necessidades de exercício

3

Tempo de exercício

Até 1 hora por dia

Necessidades de exercício mental

3

Atividades favoritas

Passeios moderados, trilhos leves, obediência, tração

Higiene

Necessidades de higiene

4

Frequência de escovagem

3-4 vezes por semana

Precisa de higiene profissional?

Não

Nível de baba

2

Problemas de Saúde

Displasia da Anca e do Cotovelo

Torção Gástrica (Dilatação-Vólvulo)

Histiocitose e outros Cancros

Mielopatia Degenerativa

Outros

Criado para

Guarda de quinta, tração e condução de gado

País de origem

Suíça

Nível de popularidade

3