Conhece a raça

Akita Inu

Raça Akita Inu

A lealdade de Hachiko não é uma lenda: é o padrão da raça.

Cão japonês de porte grande, digno e silencioso, devotado à família e pouco tolerante com outros cães.

Ver crias disponíveis

Encontra criadores de confiança para o cão dos teus sonhos

Energia Alta

Nível de energia

4/5

Manutenção Média

Higiene

3/5

Grande

Tamanho

Sereno, fiel, reservado, independente

Temperamento

mais de 10 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Difícil

Treino

2/5

Vocalidade Muito Baixa

Latido

1/5

Porque as pessoas adoram Akita Inu

Porque as pessoas adoram os Akitas

É um cão de uma dignidade rara. Não se atira às visitas, não exige atenção a toda a hora e vocaliza pouco: num inquérito a donos polacos de cinco raças antigas, a vocalização excessiva afetava 17% dos Akitas, menos do que nas outras raças estudadas, e menos de 10% tinham ansiedade de separação. A lealdade à família é o traço que a história de Hachiko tornou famoso em todo o mundo, e a presença física impõe respeito sem precisar de agressividade — que o próprio padrão desqualifica. Depois há o aspeto: o urajiro claro no focinho e no peito, as orelhas pequenas inclinadas para a frente, os olhos escuros e quase triangulares e a cauda grossa enrolada dão-lhe uma expressão que poucas raças igualam. Para quem procura um companheiro sério e calmo, mais do que um cão festivo, e tem experiência para lidar com um cão independente, é difícil encontrar melhor.

Aparência

Aparência do Akita Inu

O padrão da FCI (n.º 255) descreve um cão grande, de construção sólida, bem equilibrado e com muita substância, em que a diferença entre machos e fêmeas deve ser bem marcada. A altura ideal à cernelha é de 67 cm nos machos e 61 cm nas fêmeas, com uma tolerância de 3 cm para mais ou para menos; o padrão não fixa peso. O corpo é ligeiramente mais comprido do que alto, numa proporção de 10 para 11. A testa é larga, com um sulco marcado e sem rugas, o focinho é moderadamente comprido e forte e o nariz é grande e preto. Os olhos são relativamente pequenos, quase triangulares, castanho-escuros — quanto mais escuros, melhor. As orelhas são pequenas, grossas, triangulares, eretas e inclinadas para a frente. A cauda, de inserção alta, enrola-se vigorosamente sobre o dorso. O pelo é duplo: capa exterior áspera e direita, subpelo macio e denso, um pouco mais comprido na cernelha, na garupa e na cauda. As cores admitidas são o vermelho fulvo, o sésamo (pelos fulvos com pontas pretas), o tigrado e o branco. Todas, exceto o branco, têm de ter urajiro — a pelagem esbranquiçada nos lados do focinho, nas faces, por baixo da mandíbula, no pescoço, peito, ventre e cauda e na face interna dos membros. Máscara preta, orelhas caídas, cauda pendente e pelo comprido desqualificam.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Akita Inu

No dia a dia a manutenção é simples. A Royal Kennel Club classifica-o como cão de pelo curto que muda de pelo e precisa de escovagem mais de uma vez por semana; uma escova de cerdas e um rastelo para o subpelo chegam para retirar o pelo morto. As mudas sazonais são o momento exigente: o subpelo denso solta-se em grande quantidade e, nessas semanas, a escovagem passa a ser diária. O pelo não se tosquia — é o isolamento do cão, e cortá-lo não o torna mais fresco. Os banhos devem ser poucos e com champô suave. A escovagem é também a melhor altura para olhar para a pele: descamação seca, pelo baço e falhas no topo da cabeça, na nuca ou ao longo do dorso são sinais de adenite sebácea, a doença de pele mais frequente na raça, e justificam consulta. Unhas e ouvidos seguem a rotina normal; os dentes merecem atenção redobrada, pela razão explicada na amelogénese imperfeita.

Temperamento e Características

Temperamento do Akita Inu

O padrão da FCI resume-o em quatro palavras: sereno, fiel, dócil e recetivo. E desqualifica tanto o cão agressivo como o excessivamente tímido, o que diz muito sobre o temperamento que a criação responsável procura. Com a família é devotado e discretamente afetuoso, sem ser pegajoso. Com estranhos é reservado e territorial; um Akita bem socializado aceita visitas que não constituam ameaça, mas raramente as procura. O ponto crítico é a relação com outros animais. Num inquérito a donos polacos de cinco raças antigas, 59% dos Akitas mostravam agressividade para com outros cães e animais, e 13% para com pessoas. Os números não descrevem cada cão, mas mostram que a intolerância a outros cães é um traço frequente da raça e não apenas um defeito de educação — e que socializar bem reduz o problema sem o eliminar. Para muitos Akitas, a melhor solução é ser o único cão da casa. A raça descende de cães de caça ao urso e ao javali, e esse instinto não desapareceu: gatos e animais pequenos com quem o cão não tenha crescido correm riscos, e mesmo os da casa devem ser apresentados com cuidado. Com crianças, o porte e a forma como reage a outros cães pedem supervisão de um adulto, sobretudo quando há amigos ou cães de visita. Dentro de casa é calmo e silencioso, e quando ladra costuma haver razão para isso.

Exercício

Necessidades de Exercício do Akita Inu

A Royal Kennel Club coloca o Akita Inu no escalão mais alto de exercício: mais de duas horas por dia. Não é um cão de correria constante nem de desporto de alta intensidade, mas descende de cães de caça das montanhas nevadas do norte do Japão e fica mal com o sedentarismo: aborrece-se, inventa ocupações e ganha peso. Passeios longos, caminhadas em terreno variado e tempo para explorar com o nariz dão-lhe o que precisa. Há três regras que o dono tem de assumir. A primeira é a trela em espaços públicos: o instinto de caça e a reatividade a outros cães tornam arriscado o passeio solto, e o regresso à chamada raramente é fiável. A segunda é a escolha dos espaços: parques caninos cheios são a pior opção para esta raça, e um jardim grande e bem vedado — o que a RKC recomenda — serve melhor para brincar à vontade. A terceira é o calor. É uma raça de clima frio, com subpelo denso, e o verão português obriga a passear ao início da manhã e ao fim do dia, com água e sombra, evitando por completo as horas de sol. Chuva e frio, pelo contrário, não o incomodam. O exercício mental, com jogos de faro e procura de comida, conta para as duas horas e cansa sem aquecer. No cachorro a regra inverte-se: exercício moderado, sem saltos nem corridas longas, enquanto as ancas e os cotovelos crescem.

Treino

Treino do Akita Inu

É inteligente mas independente: o padrão pede um cão recetivo, não submisso, e na prática o Akita avalia se uma ordem vale a pena antes de a cumprir. A repetição aborrece-o depressa, por isso as sessões devem ser curtas, variadas e assentes em reforço positivo — comida, brincadeira, acesso ao que o cão quer. A confrontação física é contraproducente com um cão deste porte e deste carácter, e a forma mais rápida de estragar a relação. Precisa de um dono calmo, consistente e com experiência, que estabeleça regras claras desde o primeiro dia, enquanto o cachorro ainda é fácil de manusear. A socialização é a parte que não pode ser adiada: nas primeiras semanas em casa, o cachorro deve conhecer pessoas de todo o tipo, ruídos, ambientes e, sobretudo, cães adultos calmos e equilibrados. Não garante tolerância a outros cães na idade adulta, mas reduz muito a reatividade. Ensinar cedo a aceitar o manuseamento — escovar, ver dentes e ouvidos, cortar unhas — e a deixar que se aproximem da comida evita problemas sérios num cão que pode chegar aos 70 cm. O regresso à chamada deve ser treinado, mas não posto à prova fora de espaços vedados.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Akita Inu

Uma ração completa de qualidade, formulada para cães de porte grande, cobre as necessidades da raça. No cachorro, o crescimento deve ser controlado: ração de crescimento para raças grandes, quantidades medidas e nada de suplementos de cálcio por iniciativa própria, porque o crescimento demasiado rápido sobrecarrega as ancas e os cotovelos — as duas articulações que a Royal Kennel Club pede que sejam avaliadas nos reprodutores. No adulto, a quantidade deve seguir o peso ideal e não o apetite. O Akita ganha peso com facilidade quando o exercício não chega, e um aumento de peso sem mudança na alimentação, acompanhado de cansaço e pelo baço, é também um sinal típico de hipotiroidismo — vale a pena pensar nisso antes de simplesmente cortar a ração. Por ser um cão grande e de peito fundo, a comida deve ser dividida por duas refeições em vez de uma, sem exercício intenso antes nem depois, para reduzir o risco de torção gástrica. Os petiscos não devem passar de cerca de 10% das calorias diárias, e a água fresca deve estar sempre disponível, sobretudo no verão.

História

História do Akita Inu

A raça vem da região de Akita, no norte de Honshu, onde os caçadores matagi usavam cães de tipo spitz e porte médio na caça ao urso, ao javali e à serow, uma cabra-antílope japonesa, nas montanhas nevadas. Segundo o resumo histórico do padrão da FCI, a partir de 1603 esses cães passaram também a ser usados em combates, e a partir de 1868 foram cruzados com Tosas e mastins, o que lhes aumentou o tamanho mas lhes fez perder o tipo spitz. Os combates foram proibidos em 1908. Em 1927 foi fundada em Odate a Akita Inu Hozonkai, para preservar a raça, e em 1931 o Akita tornou-se a primeira raça canina declarada monumento natural do Japão. É dessa época Hachiko, nascido em 1923: depois da morte do dono, o professor Hidesaburō Ueno, em 1925, continuou a esperá-lo na estação de Shibuya durante nove anos, e a estátua erguida ali em 1934 tornou-se um ponto de encontro de Tóquio. A Segunda Guerra Mundial quase destruiu a raça: os cães serviam de fonte de peles para o exército e a polícia mandou recolher todos os que não fossem Pastores Alemães, o que levou alguns criadores a cruzá-los com essa raça para os salvar. No pós-guerra, os criadores japoneses recuperaram o tipo original cruzando com Akitas matagi. As linhas mais pesadas, preservadas por criadores americanos, tornaram-se uma raça à parte: a FCI separou-as em 1999 e, desde 2006, chama-lhes Akita Americano. Esta página trata do Akita japonês.

Problemas de saúde

Akita Inu têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: mais de 10 anos

Adenite Sebácea

Inflamação de origem imunitária que destrói as glândulas sebáceas da pele, considerada hereditária na raça. Num inquérito italiano a 103 Akitas japoneses, foi de longe a doença mais registada: 21 dos 44 cães com algum problema de saúde tinham adenite sebácea. Começa tipicamente com pele seca e descamativa, pelo baço e falhas de pelo no topo da cabeça, na nuca e ao longo do dorso, e pode complicar-se com infeções secundárias. Diagnostica-se com biópsia de pele. Não tem cura, mas controla-se com champôs e banhos de óleo, ácidos gordos e, em alguns casos, medicação prescrita pelo veterinário, numa rotina que dura toda a vida. Não existe teste genético: pergunte ao criador se há casos conhecidos na linha dos progenitores.

Síndrome Uveodermatológica (tipo VKH)

Doença autoimune em que o sistema imunitário ataca as células que produzem pigmento, nos olhos e na pele. A literatura veterinária atribui ao Akita a maior predisposição de todas as raças — cerca de 80% dos casos descritos — e no inquérito italiano afetava 6 dos 44 cães doentes. Nos olhos causa uveíte: olho vermelho, doloroso e lacrimejante, sensível à luz, que pode evoluir para descolamento da retina e cegueira. Na pele, o nariz, os lábios e a zona à volta dos olhos perdem a cor escura. Olho vermelho num Akita é uma urgência: o tratamento precoce com imunossupressores, em colírio e por via oral, é o que preserva a visão, e costuma ser para a vida. Não há teste genético que o despiste.

Displasia da Anca e do Cotovelo

Ancas e cotovelos que se desenvolvem com má congruência articular e evoluem para artrose. Manifesta-se por claudicação, rigidez ao levantar e relutância em subir escadas ou saltar, por vezes logo no primeiro ano de vida. A genética pesa, mas o crescimento rápido, o excesso de peso e o exercício intenso no cachorro agravam-na. A Royal Kennel Club inclui a radiografia oficial das ancas e dos cotovelos nos testes que recomenda aos criadores desta raça antes de qualquer cruzamento: peça os resultados dos dois progenitores. No cão afetado, controlo do peso, exercício regular e moderado e medicação para a dor mantêm a qualidade de vida; os casos graves podem precisar de cirurgia.

Hipotiroidismo

Na raça é sobretudo de origem autoimune: o sistema imunitário destrói progressivamente a tiroide. Os sinais instalam-se devagar — aumento de peso sem comer mais, letargia, intolerância ao frio, pelo seco e baço e falhas de pelo — e confundem-se facilmente com envelhecimento ou com adenite sebácea. Diagnostica-se com análises ao sangue e trata-se com hormona tiroideia diária, com análises de controlo regulares. Com a dose certa, o cão leva uma vida normal.

Amelogénese Imperfeita (Hipoplasia Familiar do Esmalte)

Doença genética em que o esmalte dos dentes não se forma normalmente. Afeta os dentes de leite e os definitivos: ficam mal formados, com a superfície áspera e fina e manchas acinzentadas ou acastanhadas, e os definitivos são pontiagudos, invulgarmente pequenos e com espaços entre si, que aumentam com a idade à medida que o esmalte se gasta. Um estudo de 2019 identificou a variante responsável, no gene ACP4, e estimou que 22% dos Akitas são portadores. É recessiva: um cão só é afetado se herdar duas cópias, uma de cada progenitor. Existe teste de ADN, que a Royal Kennel Club recomenda a todos os reprodutores da raça — com pelo menos um progenitor livre, nenhum cachorro será afetado. Um cão afetado precisa de higiene oral cuidada e de vigilância dentária regular.

Torção Gástrica (Dilatação-Volvo)

Emergência em que o estômago se dilata com gás e roda sobre si próprio, cortando a circulação. É mais frequente em cães grandes de peito fundo, e o PDSA inclui-a entre os problemas do Akita. Os sinais são abdómen inchado e tenso, tentativas de vomitar sem conseguir, salivação, inquietação e prostração; sem cirurgia em poucas horas, é fatal. Dividir a comida por duas refeições e evitar exercício intenso à volta delas reduz o risco. Perante os sinais, vá diretamente a um hospital veterinário, sem esperar para ver.

Pseudo-hipercalemia (falsa subida do potássio)

Não é uma doença, mas convém que o veterinário saiba. Os glóbulos vermelhos do Akita, tal como os do Shiba Inu, têm um teor de potássio mais alto do que os da maioria dos cães. Quando o sangue colhido sofre hemólise ou demora a ser processado, esse potássio passa para o soro e a análise mostra uma hipercalemia que o cão não tem. Lembre o veterinário desta particularidade da raça antes de análises e cirurgias, para que um potássio alto seja confirmado antes de ser tratado.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

4

Nível de guarda

5

Brincalhão

2

Adaptabilidade

3

Necessidades sociais

3

Temperamento

Sereno, fiel, reservado, independente

Inteligência

4

Bom com outros cães

1

Bom com gatos ou outros animais

1

Amigável com estranhos

2

Bom como cão de serviço

2

Bom para apartamentos

2

Nível de latido

1

Aparência

Altura

58-70 cm

Tamanho

Grande

Cores

Vermelho fulvo, Sésamo, Tigrado, Branco

Textura do pelo

Duplo, capa áspera e subpelo denso

Comprimento do pelo

Curto

Treino

Facilidade de treino

2

Exercício

Necessidades de exercício

4

Tempo de exercício

Mais de 2 horas

Necessidades de exercício mental

3

Atividades favoritas

Passeios longos, caminhadas, jogos de faro, neve

Higiene

Necessidades de higiene

3

Frequência de escovagem

2 vezes por semana (diária nas mudas)

Precisa de higiene profissional?

Não

Nível de baba

2

Problemas de Saúde

Adenite Sebácea

Síndrome Uveodermatológica (tipo VKH)

Displasia da Anca e do Cotovelo

Hipotiroidismo

Amelogénese Imperfeita

Torção Gástrica (Dilatação-Volvo)

Pseudo-hipercalemia

Outros

Criado para

Caça ao urso e ao javali; hoje companhia

País de origem

Japão

Nível de popularidade

3