Conhece a raça

Labrador Retriever

Raça Labrador Retriever

O Labrador é o melhor amigo de todos, fiel, divertido e sempre pronto para brincar, ou ajudar.

Quer esteja a correr no parque, a nadar num lago ou deitado aos pés do sofá, o Labrador está sempre onde a família estiver.

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Energia Alta

Nível de energia

4/5

Manutenção Muito Baixa

Higiene

1/5

Grande

Tamanho

Gentil, ativo, equilibrado

Temperamento

10-12 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Muito Fácil

Treino

5/5

Vocalidade Média

Latido

3/5

Porque as pessoas adoram Labrador Retriever

Os Labradores são adorados pela sua lealdade inabalável, energia contagiante e temperamento meigo.

Amam a companhia humana e fazem tudo para agradar. O padrão da FCI descreve-os como bem-humorados, inteligentes e dóceis, com uma natureza amável e sem qualquer traço de agressividade ou timidez excessiva — e é exatamente isso que os torna tão previsíveis com crianças, com visitas e com outros cães. Essa previsibilidade tem uma consequência prática: o Labrador é a raça de eleição do trabalho assistido. A Escola de Cães-Guia de Mortágua, a única do país, diz dar preferência ao Labrador Retriever e ao cruzamento de Labrador com Golden Retriever para formar as suas duplas, e lá fora a raça é igualmente comum como cão de terapia, de deteção e de busca e salvamento. Junte-se-lhe o gosto genuíno pela água, o faro excelente e a boca macia com que foi criado para trazer a caça sem a danificar, e percebe-se por que razão o mesmo cão serve a uma família sedentária ao fim de semana e a um caçador ao amanhecer.

Aparência

Elegante, robusto e sempre com o rabo a abanar, o Labrador encanta à primeira vista.

O padrão da FCI pede um cão de construção forte e curto de rins, muito ativo, com crânio largo, peito largo e profundo e quartos traseiros fortes — sem que nada disso se traduza em peso ou substância em excesso. A altura ideal à cernelha é de 56 a 57 cm nos machos e de 54 a 56 cm nas fêmeas. A cabeça é larga e limpa, com stop definido e focinho potente mas não afilado. Os olhos, médios e de cor castanha ou avelã, exprimem inteligência e bom temperamento; as orelhas não são grandes nem pesadas e caem junto à cabeça, implantadas bastante atrás. Duas características distinguem a raça à distância. O pelo é curto, denso, sem ondulação nem franjas, de tacto bastante áspero, sobre um subpelo resistente às intempéries. E a cauda, muito grossa na base e afilando até à ponta, coberta de pelo curto e cerrado a toda a volta, tem o aspeto arredondado que lhe valeu o nome de «cauda de lontra» e funciona como leme na água. As cores admitidas são apenas três, sempre uniformes: preto, amarelo e fígado/chocolate. Os amarelos vão do creme claro ao fox red e os chocolates do claro ao escuro. Uma pequena mancha branca no peito é permitida.

Higiene e Tratamento

Pouca manutenção, mas muda de pelo sazonal intensa.

A pelagem dupla resolve-se com uma escovagem semanal durante a maior parte do ano, mas nas mudas sazonais convém escovar quase todos os dias: o subpelo sai em quantidade e uma escova de cerdas ou um rastelo poupa muito trabalho de aspirador. Os banhos podem ser espaçados. Lavar de mais retira a gordura natural que impermeabiliza o pelo, que é precisamente o que permite ao cão sair da água praticamente seco. As orelhas merecem atenção redobrada. A otite externa é o problema mais registado na raça — 10,4% dos Labradores num ano, segundo o estudo VetCompass do Royal Veterinary College, com prevalências ainda mais altas nos exemplares chocolate — e a combinação de orelhas caídas com banhos de rio e de mar explica boa parte disso. Secar bem o canal auditivo depois de cada nadada e inspecionar as orelhas todas as semanas é a medida preventiva mais barata que existe. Unhas cortadas e escovagem dentária regular completam a rotina.

Temperamento e Características

Doce, paciente e sempre entusiasmado, o Labrador tem um coração do tamanho do mundo.

São cães extremamente afáveis, estáveis e fáceis de confiar. Criados para trabalhar em equipa com pessoas, adoram participar em tudo o que a família faz e desmotivam-se depressa quando ficam de fora. São sociáveis por natureza, com pessoas, crianças e outros animais, e raramente mostram sinais de agressividade. Essa mesma amabilidade indiscriminada faz deles maus cães de guarda: um Labrador anuncia a visita e depois vai buscar-lhe um brinquedo. Há três pontos que surpreendem quem chega à raça. O primeiro é a adolescência: entre os oito e os vinte e quatro meses, um Labrador já é um cão grande e forte mas continua mentalmente um cachorro, e é a fase que mais apanha os donos de surpresa. O segundo é a boca — a mesma boca macia que traz a caça intacta leva-o a carregar sapatos, comandos e mãos, e precisa de ser redirecionada para brinquedos desde cedo. O terceiro é a dificuldade em ficar sozinho: é um cão profundamente orientado para a companhia e a solidão prolongada traduz-se depressa em destruição e vocalização. Com exercício suficiente, ocupação e companhia, porém, o Labrador adulto é dos cães mais fáceis de viver que existem.

Exercício

Movimento é vida para o Labrador, precisam de atividade física e mental todos os dias.

O Kennel Club britânico coloca a raça no escalão mais exigente, com mais de duas horas de atividade por dia para um adulto saudável. Não tem de ser tudo caminhada: meia hora de trabalho de faro cansa um Labrador mais do que uma hora de passeio à trela. A água é o exercício ideal. Nadar poupa as articulações, satisfaz um instinto que a raça traz de origem e permite gastar energia num país onde, de junho a setembro, correr ao meio-dia não é opção. No verão português, passe as saídas exigentes para o início da manhã e o fim da tarde — a pelagem dupla e o entusiasmo de um cão que não sabe parar são uma combinação perigosa ao calor. Os jogos de busca são o que melhor lhes assenta, na água ou em terra, e a raça dá-se bem em agility, obedience, mantrailing e canicross. Dois cuidados. Em cachorros e jovens, o exercício deve ser moderado e sem saltos repetidos nem escadas em excesso, porque as articulações ainda estão em formação e a raça é predisposta a displasia. E qualquer episódio de fraqueza nos membros posteriores após exercício intenso deve ser investigado pelo veterinário, porque pode ser colapso induzido por exercício.

Treino

Inteligente e colaborador, aprender é natural para um Labrador.

É uma das raças mais fáceis de treinar. O padrão descreve-a como inteligente, atenta e dócil, com uma forte vontade de agradar, e essa vontade combinada com a enorme motivação alimentar torna o reforço positivo quase trivial de aplicar. Essa mesma motivação alimentar é também o principal problema de treino: um Labrador aprende a assaltar bancadas, caixotes e mochilas com a mesma facilidade com que aprende o «senta». Vale a pena investir cedo em «deixa» e «larga», e em gerir o ambiente em vez de contar apenas com a obediência. Duas outras prioridades. A chamada, porque um cão com faro excelente e sem receio de estranhos afasta-se com confiança. E a trela, porque aos doze meses já tem força para arrastar um adulto — ensinar a andar sem puxar antes disso é muito mais fácil do que corrigi-lo depois. A socialização precoce com pessoas, ruídos, superfícies e outros cães fecha o conjunto. É o tipo de trabalho que as escolas de cães-guia fazem de forma sistemática, e é o que separa um Labrador bem-educado de um cão simpático e ingovernável.

Dieta e Nutrição

Comilões profissionais, a dieta do Labrador deve ser vigiada com atenção.

A tendência para engordar não é um estereótipo: é, em parte, genética. Um estudo da Universidade de Cambridge identificou uma deleção no gene POMC presente em cerca de 12% dos alelos da raça — e em 45% dos cães de linhas de criação para trabalho assistido — associada a maior apetite e a cerca de 1,9 kg de peso adicional por cópia herdada. O resultado vê-se na clínica. O excesso de peso e a obesidade são o segundo problema mais registado em Labradores no estudo VetCompass, com 8,8% dos cães afetados num ano, e a esterilização agrava o quadro nos machos (11,4% dos castrados contra 4,1% dos inteiros). Na prática: pese a ração em vez de a medir a olho, desconte os petiscos do total diário, divida a comida em duas refeições e avalie a condição corporal com as mãos todos os meses — as costelas devem sentir-se sem pressão. Nos cachorros, use um alimento formulado para raças grandes e resista a acelerar o crescimento. Controlar o peso é também a intervenção mais eficaz contra a doença articular degenerativa, que é o terceiro problema mais comum da raça.

História

De pescador a estrela mundial, a incrível jornada do Labrador Retriever.

Apesar do nome, o Labrador não vem do Labrador. A sua origem está na ilha da Terra Nova, onde os pescadores usavam um cão de água rústico — o St. John's water dog — para puxar redes e recuperar peixe e cabos caídos ao mar. O padrão da FCI reconhece essa ascendência e destaca a pelagem resistente às intempéries e a cauda peculiar, comparada à de uma lontra, como a sua marca. Os cães chegaram a Inglaterra nos navios que faziam comércio entre o Canadá e o porto de Poole, em Dorset, e foram introduzidos no final do século XIX pelo Coronel Peter Hawker e pelo Conde de Malmesbury. Foi o Duque de Buccleuch que, a partir dos anos 1880, cruzou os seus cães com os de Malmesbury e fixou o tipo moderno; a FCI aponta um cão chamado Malmesbury Tramp como uma das raízes da raça atual. O reconhecimento oficial pelo Kennel Club britânico chegou em 1903. O clube da raça formou-se em 1916 e o Yellow Labrador Club em 1925 — a raça é, comparativamente, recente, e foi nas provas de campo que ganhou fama. Hoje está classificada no Grupo 8 da FCI, secção dos retrievers, com prova de trabalho. Em Portugal, o relatório de 2019 do Clube Português de Canicultura coloca-a em segundo lugar entre as raças mais registadas, com 930 registos no ano, atrás apenas do Cão de Pastor Alemão.

Problemas de saúde

Labrador Retriever têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 10-12 anos

Displasia da Anca

Malformação hereditária da articulação coxofemoral em que a cabeça do fémur e o acetábulo deixam de encaixar corretamente, levando a dor, claudicação e artrose precoce. Os sinais costumam aparecer entre os seis meses e os dois anos, ou já em adulto, sob a forma de dificuldade em levantar-se e relutância em subir escadas. O controlo do peso é a medida isolada mais eficaz, a par de exercício regular e moderado; casos graves podem exigir cirurgia. A criação responsável radiografa os reprodutores e classifica-os; o Kennel Club britânico recomenda para esta raça o rastreio de ancas através do esquema BVA/RKC. Peça sempre a pontuação das ancas dos pais ao criador.

Displasia do Cotovelo

Conjunto de alterações do desenvolvimento do cotovelo que provoca claudicação do membro anterior, muitas vezes em ambos os lados e a partir dos quatro a dez meses. Costuma notar-se depois do exercício ou ao levantar após o repouso. O tratamento vai da gestão conservadora — peso, fisioterapia, anti-inflamatórios — à cirurgia artroscópica nos casos com fragmentos articulares. Tal como na anca, existe um esquema de radiografia e classificação dos reprodutores (BVA/Kennel Club) e a recomendação é a mesma: só cruzar cães avaliados e exigir os resultados dos pais.

Colapso Induzido por Exercício (EIC)

Doença hereditária associada a uma mutação no gene DNM1, especialmente frequente nesta raça. O cão é normal em repouso e, após cinco a vinte minutos de exercício intenso e excitante — buscas repetidas, corridas com outros cães —, perde força nos membros posteriores e pode colapsar, recuperando habitualmente em minutos. Estudos em Labradores encontraram entre 17,9% e 38,0% de portadores e entre 1,8% e 13,6% de cães com as duas cópias da mutação, dos quais cerca de 84% já tinham colapsado aos quatro anos. Existe teste genético: um portador pode ser cruzado com um cão livre sem gerar afetados. Nos cães afetados, o maneio passa por interromper a atividade aos primeiros sinais e evitar exercício de alta intensidade, sobretudo com calor.

Atrofia Progressiva da Retina (PRA)

Na forma que afeta o Labrador — a degenerescência progressiva de bastonetes e cones, ou prcd-PRA — os fotorrecetores da retina degeneram de forma gradual e irreversível. Os bastonetes, responsáveis pela visão noturna, são os primeiros a falhar: o primeiro sinal é normalmente hesitação ao lusco-fusco ou em divisões mal iluminadas, a que se segue a perda de visão diurna e, por fim, a cegueira. É uma doença de aparecimento tardio, com sinais visíveis por volta dos três a cinco anos, e não é dolorosa; os cães afetados adaptam-se bem a um ambiente estável e sem obstáculos deslocados. Não há tratamento, mas há prevenção: a transmissão é autossómica recessiva e o teste de ADN identifica afetados e portadores, pelo que a doença é totalmente evitável por criação informada. É um dos testes recomendados pelo Kennel Club para a raça, a par dos exames oftalmológicos periódicos.

Excesso de Peso e Obesidade

É o problema de saúde mais comum na raça a seguir à otite e tem uma componente genética documentada: uma deleção no gene POMC, encontrada em cerca de 12% dos alelos em Labradores, aumenta o apetite e está associada a mais peso por cada cópia herdada. O excesso de peso não é um problema estético — agrava diretamente a displasia, a doença articular degenerativa (o terceiro problema mais registado na raça) e a rotura do ligamento cruzado, a que o Labrador também é predisposto. A prevenção é toda ela de gestão: ração pesada, petiscos descontados da dose diária, avaliação mensal da condição corporal e vigilância acrescida depois da esterilização, que aumenta o risco de forma marcada nos machos.

Otite Externa

A inflamação do canal auditivo externo é o problema mais registado em Labradores na clínica generalista, afetando cerca de 10,4% dos cães num ano segundo o estudo VetCompass, com prevalência notoriamente superior nos exemplares de cor chocolate. Orelhas pendentes, um canal que seca mal e uma raça que passa a vida dentro de água criam o ambiente húmido de que bactérias e leveduras precisam. Manifesta-se por abanar a cabeça, coçar as orelhas, cheiro desagradável e corrimento. Secar bem as orelhas depois de cada banho ou nadada e inspecioná-las semanalmente previne a maioria dos episódios; a otite instalada precisa de veterinário, porque a causa de base — alergia, por exemplo — costuma ser o que faz a doença regressar.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

5

Nível de guarda

2

Brincalhão

5

Adaptabilidade

5

Necessidades sociais

5

Temperamento

Gentil, ativo, equilibrado

Inteligência

5

Bom com outros cães

4

Bom com gatos ou outros animais

5

Amigável com estranhos

5

Bom como cão de serviço

5

Bom para apartamentos

1

Nível de latido

3

Aparência

Altura

54-57 cm

Tamanho

Grande

Cores

Amarelo, Preto, Chocolate

Textura do pelo

Denso e impermeável

Comprimento do pelo

Curto, com subpelo espesso

Treino

Facilidade de treino

5

Exercício

Necessidades de exercício

4

Tempo de exercício

2h ou mais por dia

Necessidades de exercício mental

4

Atividades favoritas

Buscar objetos, natação, trabalho de faro, caminhadas, obediência, agility

Higiene

Necessidades de higiene

1

Frequência de escovagem

Semanal, quase diária na muda

Precisa de higiene profissional?

Não

Nível de baba

2

Problemas de Saúde

Displasia da Anca

Displasia do Cotovelo

Colapso Induzido por Exercício (EIC)

Atrofia Progressiva da Retina (PRA)

Excesso de Peso e Obesidade

Otite Externa

Outros

Criado para

Cobrança de caça na água, ajudar pescadores

País de origem

Reino Unido

Nível de popularidade

5