Conhece a raça

Braco Italiano

Raça Braco Italiano

O cão de parar de Itália: cabeça esculpida, orelhas compridas e um trote largo de nariz no ar.

Braco continental de porte grande, antigo e raro, de pelo curto branco com laranja ou castanho, dócil em casa e incansável no campo.

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Energia Alta

Nível de energia

4/5

Manutenção Baixa

Higiene

2/5

Grande

Tamanho

Dócil, afetuoso, calmo em casa, incansável no campo

Temperamento

10-14 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Fácil

Treino

4/5

Vocalidade Média

Latido

3/5

Porque as pessoas adoram Braco Italiano

Porque as pessoas adoram os Bracos Italianos

A primeira coisa que prende é a cara: a cabeça comprida e angulosa, as orelhas que chegam à ponta do nariz, os lábios soltos e um olhar que o próprio padrão da FCI descreve como doce e submisso. Por trás desse ar melancólico está um cão de caça a sério, rústico e capaz de trabalhar todo o tipo de terreno, e é essa combinação que conquista quem o conhece. Em casa tende a ser calmo e colado às pessoas — há quem lhe chame cão-velcro, porque segue a família de divisão em divisão e procura contacto físico. Aprende com facilidade, o pelo curto quase não dá trabalho e, com crianças que o respeitam, costuma ser paciente. Para quem caça aves, é um cão de parar completo, que procura, para e cobra. Para quem não caça, é um companheiro de caminhadas longas, natação e desportos de faro. E há também o gosto de ter uma raça pouco vista: em Portugal continua a ser pouco visto.

Aparência

Aparência do Braco Italiano

Cão de porte grande, forte e harmonioso, de membros secos e musculatura bem desenhada. O comprimento do corpo é igual à altura ao garrote ou ligeiramente superior. O padrão da FCI fixa a altura entre 55 e 67 cm, com 58 a 67 cm preferidos nos machos e 55 a 62 cm nas fêmeas, e o peso entre 25 e 40 kg conforme o tamanho. O traço mais característico é a cabeça: estreita, angulosa, com o crânio e o focinho do mesmo comprimento e os eixos superiores divergentes, o que lhe dá o perfil típico de focinho ligeiramente arqueado ou reto. O nariz é volumoso, rosado, cor de carne ou castanho — nunca preto. Os lábios superiores são finos e soltos e o pescoço mostra uma barbela dupla e macia. As orelhas são compridas, devendo chegar à ponta do nariz sem serem esticadas. Os olhos, bastante grandes, devem ter as pálpebras bem ajustadas, sem entrópio nem ectrópio. A cauda natural não deve passar do jarrete; em Portugal a amputação para fins estéticos é proibida, pelo que se mantém inteira. O pelo é curto, denso e brilhante. As cores admitidas são branco, branco com manchas laranja ou âmbar, branco com manchas castanhas, ruão laranja e ruão castanho — este último, segundo o padrão, idealmente num castanho quente que lembra o hábito de um frade. Preto, tricolor e marcas fogo desqualificam.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Braco Italiano

O pelo curto e denso dá pouco trabalho: uma escovagem semanal com luva de borracha ou escova de cerdas retira o pelo morto, e a muda é moderada ao longo do ano. Banhos só quando o cão se suja a sério. O cuidado que realmente conta são as orelhas. Compridas, pesadas e caídas, tapam o canal auditivo e retêm humidade, e as otites aparecem na lista de problemas da raça em todas as fontes consultadas. Convém inspecionar os ouvidos de poucos em poucos dias, procurar vermelhidão ou mau cheiro e secá-los depois de banhos e de trabalho na água, usando um produto de limpeza recomendado pelo veterinário e sem enfiar nada fundo no canal. Os lábios soltos fazem com que babe moderadamente. As unhas cortam-se a cada duas a quatro semanas e os dentes beneficiam de escovagem regular. Depois de saídas no mato, vale a pena verificar carraças e espigas entre os dedos e nas orelhas.

Temperamento e Características

Temperamento do Braco Italiano

O padrão da FCI descreve-o como rústico, adaptado a todo o tipo de caça, fiável, dotado de grande capacidade de compreensão, dócil e fácil de treinar, e desqualifica expressamente cães agressivos ou demasiado tímidos. É um retrato que bate certo com o que dizem os clubes da raça: um cão gentil em casa e incansável no campo. Com a família é muito afetuoso e dependente de companhia, e não é raça para passar o dia sozinho num quintal — a solidão e a falta de exercício traduzem-se em ansiedade, ladrar e destruição. Com crianças que o tratam com respeito costuma ser paciente, mas um cão de trinta e tal quilos entusiasmado derruba uma criança pequena sem querer, e as brincadeiras devem ser supervisionadas. Com estranhos pode mostrar-se reservado no início, sem vocação de guarda: avisa quando alguém chega e pouco mais. Socializado desde cachorro, dá-se em geral bem com outros cães. O instinto de caça, no entanto, é forte, e gatos, coelhos, galinhas ou pequenos animais pedem apresentações cuidadas e supervisão, sobretudo ao ar livre. Em casa, o temperamento calmo que lhe atribuem depende, em boa parte, de ter o exercício de que precisa.

Exercício

Necessidades de Exercício do Braco Italiano

É um cão de trabalho e precisa de exercício diário a sério, mas as fontes não estão de acordo quanto à dose. O Kennel Club britânico coloca-o no escalão de mais de duas horas por dia e recomenda-o para casas grandes, com quintal grande, no campo; guias veterinários ficam-se pelos 45 a 60 minutos de atividade diária. A diferença reflete o tipo de cão: linhas de trabalho e cães jovens estão mais perto do primeiro número, adultos de companhia mais perto do segundo. Na prática, conte com pelo menos uma hora por dia de exercício que inclua corrida livre em terreno seguro, e mais nos dias em que o cão não tem trabalho para o nariz. O que melhor o cansa é usar o faro: caminhadas longas no monte, jogos de procura, cobrança, mantrailing e, para quem caça, o trabalho de campo para que foi selecionado. Muitos gostam de nadar. O passo natural da raça é um trote largo e rápido, pelo que acompanha bem caminhadas e corridas a ritmo moderado. A trela é regra fora de espaços vedados, porque um braco que apanha um rasto deixa de ouvir. No verão português, o exercício intenso deve fazer-se cedo ou ao fim do dia. Nos cachorros, prefira brincadeira curta em piso macio a corridas longas e saltos, enquanto as articulações estão a crescer.

Treino

Treino do Braco Italiano

A FCI descreve-o como dócil e fácil de treinar, com grande capacidade de compreensão, e aprende depressa quando o método o motiva. Responde muito bem a reforço positivo — comida, elogio e brincadeira — e mal a métodos bruscos. Sessões curtas e variadas, que pareçam um jogo, rendem mais do que repetições longas do mesmo exercício. O ponto que exige mais trabalho é o recall: o faro e o instinto de parar são fortes, e um chamamento fiável treina-se desde cachorro, com linha longa, antes de qualquer saída em liberdade. Ensinar a largar e a deixar coisas no chão é igualmente útil num cão que cobra por natureza. A socialização precoce com pessoas, outros cães, sons e ambientes ajuda a evitar a reserva com estranhos que alguns exemplares mostram. Vale a pena habituar o cachorro desde cedo a ter as orelhas, a boca e as patas manuseadas, porque a limpeza dos ouvidos vai ser rotina para o resto da vida. Para quem caça, o treino de parar e cobrar aproveita uma aptidão natural, mas convém procurar um treinador ou clube de cães de parar com experiência em raças continentais.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Braco Italiano

Um Braco Italiano adulto come uma ração completa e equilibrada para cães de porte grande, em quantidade ajustada ao peso, à idade e à atividade — um cão que caça ou faz desporto pode precisar de uma fórmula desportiva durante a época de trabalho, e de voltar à de manutenção no resto do ano para não ganhar peso. Os cachorros comem ração de crescimento para raças grandes, em doses medidas e não à discrição, divididas em três refeições; os adultos fazem duas. A torção gástrica está entre as principais causas de morte registadas pelo clube norte-americano da raça, e as medidas de prevenção são as habituais nos cães de peito fundo: várias refeições em vez de uma, comedouro lento para quem come depressa, horários regulares, comedouros ao nível do chão e repouso antes e depois de comer. Manter o cão magro protege as articulações. Como a doença renal é frequente na raça, a alimentação de um cão com análises renais alteradas deve ser definida pelo veterinário — não se muda para uma dieta renal por conta própria, nem se dão suplementos sem indicação.

História

História do Braco Italiano

É uma das raças de parar mais antigas da Europa. O padrão da FCI descreve-a como de origem italiana remota, usada na caça a aves, e aponta frescos do século XIV como prova de que a sua morfologia e a aptidão para parar se mantêm há séculos. Durante esse tempo acompanhou a evolução dos métodos de caça até à caça com arma, e foi selecionada para um trote largo e rápido e para a cobrança. No fim do século XIX distinguiam-se dois tipos, um maior, o bracco nobile ou di gran sangue, e um mais pequeno, o bracco comune ou bracchetto. Quando o Kennel Club Italiano — hoje ENCI — foi fundado, em 1882, o primeiro cão inscrito no seu livro de origens foi um Braco Italiano. Na década de 1890, Ferdinando Delor escreveu um padrão para o tipo maior. A raça atravessou nesse período uma quebra séria de efetivos, e a sua recuperação deve muito a esse trabalho de fixação. Em 1949 o ENCI aprovou um padrão oficial e no mesmo ano foi fundada a Società Amatori Bracco Italiano, o clube da raça; a FCI aceitou-a plenamente em 1956 e classifica-a no Grupo 7, secção 1, com prova de trabalho. Fora de Itália é recente: chegou ao Reino Unido por volta de 1990 e foi reconhecida pelo American Kennel Club em 2022. Em Itália continua a registar centenas de cachorros por ano, na maioria brancos e laranja.

Problemas de saúde

Braco Italiano têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 10-14 anos

Doença Renal (Amiloidose Renal)

É a doença mais associada à raça: o clube norte-americano regista-a como causa de morte em 14,6% dos cães do seu inquérito. Na amiloidose, uma proteína anómala deposita-se nos rins e vai destruindo a sua função, muitas vezes sem sinais até à fase avançada. Mais sede e mais urina, perda de apetite, vómitos, emagrecimento e cansaço são os sinais a vigiar. Deteta-se cedo com análises de sangue (creatinina) e urina (rácio proteína/creatinina), que o clube recomenda nos reprodutores antes de cada cruzamento e, anualmente a partir de um ano de idade, em todos os cães, mesmo os que não vão reproduzir. Não tem cura, mas o diagnóstico precoce permite tratamento de suporte e ajustes de dieta orientados pelo veterinário. Pergunte ao criador pelas análises renais dos pais.

Displasia da Anca e do Cotovelo

Desenvolvimento anormal destas articulações, que leva a dor, claudicação e artrose precoce; os primeiros sinais são dificuldade em levantar-se, rigidez depois de descansar e relutância em correr ou saltar. É em parte hereditária, e tanto o Kennel Club britânico como o clube norte-americano recomendam avaliação radiográfica da anca e do cotovelo nos reprodutores, esta última a partir dos dois anos. O dono pode reduzir o risco mantendo o cachorro magro, sem excesso de cálcio e sem exercício de impacto durante o crescimento. Peça ao criador os resultados oficiais dos pais.

Entrópio e Ectrópio

Defeitos das pálpebras: no entrópio a pálpebra enrola para dentro e as pestanas raspam a córnea, provocando lacrimejo, olho semicerrado e úlceras; no ectrópio descai para fora, deixando o olho exposto e propenso a conjuntivites. O padrão da FCI exige pálpebras bem ajustadas, sem nenhum dos dois, e o clube norte-americano inclui-os no exame oftalmológico recomendado aos reprodutores, juntamente com as cataratas. O entrópio corrige-se cirurgicamente; olhos que lacrimejam ou se mantêm fechados devem ser vistos pelo veterinário.

Torção Gástrica (Dilatação-Volvo)

Emergência em que o estômago dilata com gás e roda sobre si próprio, cortando a circulação; sem cirurgia rápida é fatal. O clube norte-americano regista-a como causa de morte em 9,3% dos cães e recomenda considerar a gastropexia preventiva em todos os Bracos Italianos, por exemplo aproveitando a esterilização. Os sinais são barriga dilatada, tentativas de vomitar sem resultado, salivação excessiva e agitação — perante eles, vá de imediato ao veterinário. Refeições divididas, comedouro lento e repouso à volta das refeições reduzem o risco.

Otites

As orelhas compridas e caídas tapam o canal auditivo e retêm humidade, o que favorece infeções. Abanar a cabeça, coçar as orelhas, vermelhidão e mau cheiro são os sinais. Previne-se com inspeção frequente e secagem depois da água; uma otite instalada precisa de tratamento veterinário, não de limpezas mais agressivas. Alergias de pele, também descritas na raça, são uma causa frequente de otites repetidas.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

5

Nível de guarda

2

Brincalhão

4

Adaptabilidade

3

Necessidades sociais

5

Temperamento

Dócil, afetuoso, calmo em casa, incansável no campo

Inteligência

4

Bom com outros cães

4

Bom com gatos ou outros animais

2

Amigável com estranhos

3

Bom como cão de serviço

3

Bom para apartamentos

1

Nível de latido

3

Aparência

Altura

Machos: 58-67 cm, Fêmeas: 55-62 cm

Tamanho

Grande

Cores

Branco, Branco e laranja, Branco e castanho, Ruão laranja, Ruão castanho

Textura do pelo

Curto, denso e brilhante

Comprimento do pelo

Curto

Treino

Facilidade de treino

4

Exercício

Necessidades de exercício

4

Tempo de exercício

1-2 horas

Necessidades de exercício mental

4

Atividades favoritas

Caminhadas longas, jogos de faro, cobrança, natação e caça de aves

Higiene

Necessidades de higiene

2

Frequência de escovagem

1 vez por semana

Precisa de higiene profissional?

Não

Nível de baba

3

Problemas de Saúde

Doença Renal (Amiloidose Renal)

Displasia da Anca e do Cotovelo

Entrópio e Ectrópio

Torção Gástrica (Dilatação-Volvo)

Otites

Outros

Criado para

Caça de aves (cão de parar e cobrança)

País de origem

Itália

Nível de popularidade

1