Conhece a raça

Cavalier King Charles Spaniel

Raça Cavalier King Charles Spaniel

Feito para estar ao colo de alguém — e genuinamente infeliz quando não está.

Doce com toda a gente, adapta-se a quase tudo; exige criadores que testem coração e coluna.

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Energia Média

Nível de energia

3/5

Manutenção Média

Higiene

3/5

Pequeno

Tamanho

Afetuoso, dócil, sociável, dependente

Temperamento

9-12 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Fácil

Treino

4/5

Vocalidade Baixa

Latido

2/5

Porque as pessoas adoram Cavalier King Charles Spaniel

Porque as pessoas adoram o Cavalier King Charles Spaniel

O Cavalier tem uma qualidade rara: gosta genuinamente de toda a gente. Não é um cão de uma só pessoa, nem desconfiado, nem territorial — cumprimenta visitas, crianças e outros cães com a mesma boa disposição. É paciente e tolerante, o que faz dele uma escolha frequente para famílias com crianças pequenas e para pessoas mais velhas. A adaptabilidade é outro trunfo: ajusta o nível de atividade ao do tutor, acompanhando caminhadas longas ao fim de semana e contentando-se com passeios curtos durante a semana. O padrão da FCI descreve-o com três palavras que explicam bem o entusiasmo que gera: desportivo, afetuoso e absolutamente destemido. É um cão de colo que continua a ter nariz e fôlego de spaniel, capaz de passar a manhã a farejar num trilho e a tarde enrolado numa almofada. O tamanho pequeno torna-o fácil de transportar e de acomodar em apartamento, e a docilidade abriu-lhe portas em contextos onde poucas raças entram, como o trabalho de terapia assistida em lares e hospitais. O pelo sedoso e o olhar grande e expressivo completam um conjunto que conquista praticamente toda a gente.

Aparência

Aparência do Cavalier King Charles Spaniel

É um cão pequeno e bem proporcionado, medindo cerca de 30 a 33 cm à cernelha e pesando entre 5,4 e 8 kg — o padrão pede expressamente um exemplar pequeno e equilibrado dentro desse intervalo. A cabeça é quase plana entre as orelhas, com stop pouco marcado e focinho afilado de cerca de 3,8 cm entre o stop e a ponta do nariz, medida que o distingue do King Charles Spaniel inglês, de face achatada. Os olhos são grandes, escuros, redondos e bem afastados, mas o padrão pede que não sejam proeminentes. As orelhas são longas, de inserção alta e bem franjadas, e emolduram o rosto. A cauda é proporcional ao corpo e levada alegremente, nunca muito acima da linha do dorso, e o movimento é solto e elegante, com boa impulsão dos posteriores. O pelo é sedoso, de comprimento médio, liso ou ligeiramente ondulado, com franjas abundantes nas orelhas, no peito, nos membros e na cauda; o padrão proíbe qualquer tosquia ou aparo estético. São reconhecidas quatro cores: Blenheim, castanho-avermelhado bem repartido sobre branco, idealmente com a valorizada mancha redonda no centro do crânio; tricolor, preto e branco com marcas castanhas sobre os olhos, nas faces e no interior das orelhas e dos membros; preto e castanho; e ruby, vermelho sólido. Marcas brancas são indesejáveis nas duas últimas.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Cavalier King Charles Spaniel

A pelagem sedosa não exige tosquia — o padrão da raça proíbe-a expressamente, incluindo o aparo das franjas — mas precisa de escovagem regular: duas a três vezes por semana, com atenção às franjas das orelhas, às axilas e à zona atrás das patas, onde se formam nós com facilidade. As orelhas longas e pendentes limitam o arejamento do canal auditivo e favorecem otites, pelo que devem ser verificadas e limpas semanalmente, sobretudo após banhos e passeios à chuva. Os olhos grandes ficam expostos a poeiras e a pequenos traumatismos, exigindo vigilância e limpeza suave; nos exemplares de fundo claro é frequente aparecerem marcas de lágrima no pelo abaixo do olho, que se limpam com uma compressa húmida mas cuja causa merece investigação se persistirem. Como todas as raças pequenas, é propenso a tártaro, o que torna a escovagem dos dentes uma rotina necessária. Banhos a cada quatro a seis semanas chegam. Convém ainda aparar o pelo entre as almofadinhas e cortar as unhas mensalmente.

Temperamento e Características

Temperamento do Cavalier King Charles Spaniel

É afetuoso, dócil, paciente e ansioso por agradar, com uma sociabilidade que se estende a toda a gente. O padrão da FCI resume-o como alegre, amigável, não agressivo e sem tendência para o nervosismo, e acrescenta que deve ser absolutamente destemido — uma qualidade que é ao mesmo tempo o seu maior encanto e o seu maior risco. Não tem instinto de guarda relevante: pode ladrar quando alguém chega, mas cumprimentaria com igual entusiasmo um amigo ou um intruso, e aproxima-se de cães muito maiores sem qualquer leitura de perigo, o que obriga o tutor a fazer essa avaliação por ele. Convive muito bem com crianças, outros cães e, em regra, com gatos. A tolerância ao manuseamento desajeitado é elevada, e é essa combinação de docilidade e tamanho pequeno que explica a presença regular da raça em programas de terapia assistida em lares e hospitais. O reverso da moeda é a dependência: foi criado ao longo de séculos para ser um cão de companhia permanente e sofre de verdade quando fica sozinho durante horas, sendo a ansiedade de separação um problema frequente na raça. Não é indicado para quem passa dias inteiros fora de casa. Mantém ainda algum instinto de spaniel e persegue aves e esquilos, o que, somado à ausência de receio, aconselha trela junto a estradas e prudência em espaços abertos sem vedação.

Exercício

Necessidades de Exercício do Cavalier King Charles Spaniel

Precisa de cerca de uma hora de atividade diária, repartida por passeios e brincadeira, mas é flexível quanto à intensidade — uma das razões por que se ajusta a tutores muito diferentes entre si. Gosta de explorar cheiros, de jogos de busca e de caminhadas tranquilas no campo, e o instinto de spaniel torna os jogos de faro uma forma particularmente eficaz de o cansar: quinze minutos a procurar petiscos escondidos pela casa valem mais, em desgaste, do que o dobro do tempo a andar na rua. Adapta-se muito bem a apartamento, desde que o passeio diário não seja sacrificado. Muitos exemplares gostam de água e nadam bem, atividade útil quando há articulações a poupar. Três cuidados merecem destaque. O focinho é moderadamente curto: a maioria dos Cavaliers obtém boa classificação nas avaliações de função respiratória, mas os dados britânicos do VetCompass apontam para um risco de doença associada ao calor cerca de três vezes superior ao de um Labrador, pelo que os passeios de verão devem ser feitos ao início da manhã ou ao fim do dia. Em cães com doença da válvula mitral diagnosticada, o exercício deve manter-se regular mas moderado, sem esforços bruscos, e ajustado às recomendações do médico veterinário. E o excesso de peso, comum na raça, reduz depressa a tolerância ao esforço.

Treino

Treino do Cavalier King Charles Spaniel

É uma das raças mais fáceis de treinar, não pela inteligência excecional mas pela enorme vontade de agradar e pela sensibilidade ao tom de voz. Responde muito bem a reforço positivo e retrai-se com correções ásperas, que produzem um cão inibido em vez de um cão obediente. Aprende comandos básicos com rapidez e presta-se bem a truques e a trabalho de terapia assistida, área em que a raça se destaca. A socialização deve aproveitar a janela das oito às dezasseis semanas, ainda que num cão naturalmente sociável o objetivo seja menos vencer o medo e mais habituá-lo a superfícies, a ruídos e à manipulação de orelhas, boca e patas que terá de tolerar toda a vida, numa raça que vai ao veterinário com frequência. As duas prioridades reais de treino são a chamada, comprometida pelo instinto de perseguir aves e pela ausência de receio de carros e de cães maiores, e o treino gradual de ficar sozinho, que deve começar em cachorro com ausências de segundos, depois de minutos, sempre terminadas antes de o cão se inquietar. O treino de higiene costuma exigir mais paciência do que nas raças médias: a bexiga é pequena e as saídas precisam de ser frequentes e previsíveis.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Cavalier King Charles Spaniel

Uma ração de qualidade para raças pequenas, com doses medidas e repartidas por duas refeições diárias, é o essencial; os cachorros comem três a quatro vezes ao dia até aos quatro ou cinco meses. O controlo do peso é particularmente importante nesta raça: o excesso de peso agrava a doença da válvula mitral, que afeta a maioria dos Cavaliers, sobrecarrega articulações já vulneráveis à luxação da rótula e reduz a tolerância ao calor e ao esforço. Como o Cavalier tende a pedir comida com uma insistência difícil de resistir, convém pesar a dose diária, manter os petiscos dentro de cerca de dez por cento das calorias do dia e avaliar a condição corporal pelo tato — as costelas devem sentir-se sem ser preciso pressionar, e a cintura deve ver-se de cima — em vez de confiar apenas no número da balança. Em cães com doença cardíaca diagnosticada, o teor de sal deve ser controlado e a dieta ajustada segundo indicação veterinária, com atenção ao apetite, cuja perda é um sinal de agravamento a comunicar. Alimentos e snacks com ação dentária comprovada ajudam a travar o tártaro, sem substituir a escovagem dos dentes. Ácidos gordos ómega-3 apoiam a saúde da pele e do pelo.

História

História do Cavalier King Charles Spaniel

Os pequenos spaniels de companhia são retratados em pinturas europeias desde o século XVI e tornaram-se inseparáveis da corte inglesa, ao ponto de o rei Carlos II ser conhecido pela devoção que lhes tinha — daí o nome da raça. A partir do século XVIII, e sobretudo no século XIX, o fascínio pelas raças de face achatada levou os criadores a selecionar focinhos curtos e crânios abobadados, dando origem ao King Charles Spaniel moderno e fazendo praticamente desaparecer o tipo antigo. Em 1926, o americano Roswell Eldridge convenceu o Kennel Club a oferecer no Crufts, durante cinco anos consecutivos, prémios em dinheiro a quem apresentasse spaniels do tipo antigo — de focinho comprido, sem stop e de crânio plano, tal como aparecem nos quadros da época de Carlos II. A resposta foi inicialmente escassa, e Eldridge morreu em 1928, cerca de um mês antes do Crufts em que Ann's Son, um macho de Miss Mostyn Walker, venceu o prémio e se tornou o modelo da raça. Nesse mesmo Crufts, um grupo de criadores fundou o clube da nova raça e redigiu o primeiro padrão, fixando desde logo o princípio de que não haveria tosquia e de que o Cavalier deveria ser protegido das modas. O reconhecimento formal chegou em 1945, quando o Kennel Club britânico lhe concedeu registo separado e Challenge Certificates. Em Portugal, a raça é reconhecida pelo Clube Português de Canicultura e integra o Grupo 9 da FCI, na secção dos spaniels ingleses de companhia.

Problemas de saúde

Cavalier King Charles Spaniel têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 9-12 anos

Doença Degenerativa da Válvula Mitral

É o problema mais grave e mais comum da raça: estima-se que mais de metade dos Cavaliers tenha sopro cardíaco aos cinco anos e cerca de 90% aos dez, e a insuficiência cardíaca é a principal causa de morte. A válvula mitral degenera e deixa de fechar bem, o sangue reflui para a aurícula e o coração dilata; o sopro aparece muito antes dos sintomas, que começam por tosse, cansaço fácil e respiração acelerada em repouso. Não tem cura, mas a medicação iniciada na fase certa atrasa o início da insuficiência cardíaca. O rastreio combina auscultação por cardiologista e ecocardiografia: o esquema cardíaco do Kennel Club britânico avalia os reprodutores a partir dos 18 meses, com reavaliações aos 2, 4 e 6 anos, e classifica-os por um sistema de semáforo que desaconselha a reprodução dos cães de maior risco. O protocolo internacional da raça acrescenta a regra prática que mais peso teve: não reproduzir antes dos quatro a cinco anos nem com cães que tenham desenvolvido sopro antes dessa idade. Onde foi aplicado de forma obrigatória, este esquema reduziu significativamente a prevalência da doença ao fim de oito a dez anos. Peça sempre os resultados cardíacos dos dois progenitores, com data.

Siringomielia e Malformação tipo Chiari

O crânio, demasiado pequeno para o cérebro, obstrui a circulação do líquido cefalorraquidiano e leva à formação de cavidades cheias de líquido na medula espinhal. A malformação em si é muito frequente na raça; as cavidades, essas, surgem numa parte dos cães e são o que provoca sintomas. Manifesta-se por dor no pescoço, relutância em baixar a cabeça ou em subir escadas, sensibilidade ao toque na zona da cabeça e do pescoço, e pelo gesto característico de coçar o ar junto ao ombro, muitas vezes durante o passeio ou quando se aperta a coleira. É uma doença de aparecimento tardio e progressivo: há casos ligeiros que se controlam com analgesia e fármacos que reduzem a produção de líquido cefalorraquidiano, e casos graves em que se pondera cirurgia. O rastreio faz-se por ressonância magnética, classificada pelo esquema da BVA e do Kennel Club, que atribui graus separados à malformação e à siringomielia. A idade mínima de rastreio é 12 meses, mas como a lesão evolui recomenda-se repetir aos 2-3 anos e aos 6. Um cão com siringomielia extensa detetada ainda jovem é o pior caso reprodutivo e não deve ser criado. Um tutor a ver estes sinais deve procurar avaliação neurológica, não assumir que é um tique.

Luxação da Rótula

Deslocamento da rótula para fora da sua calha, frequente nas raças pequenas. O sinal típico é o cão levantar de repente uma pata traseira durante alguns passos, muitas vezes com um pequeno salto, e voltar a apoiá-la como se nada fosse. Gradua-se de 1 a 4 conforme a facilidade com que a rótula sai e volta ao lugar. Os graus mais baixos controlam-se com peso adequado, massa muscular e fisioterapia, evitando saltos repetidos para sofás e camas; os graus 3 e 4 requerem em regra correção cirúrgica, tanto mais precoce quanto maior o risco de artrose a longo prazo. Os reprodutores devem ser avaliados por palpação veterinária antes da criação.

Otites e Problemas Auriculares

As orelhas longas, pendentes e muito franjadas limitam o arejamento e retêm humidade, favorecendo infeções recorrentes do canal auditivo. Suspeite quando o cão abana a cabeça, coça a orelha, há odor forte ou corrimento escuro. A limpeza e a verificação semanais, sobretudo depois de banhos e de passeios à chuva, são a melhor prevenção, mas otites repetidas apesar da higiene apontam com frequência para uma alergia de base que vale a pena investigar em vez de tratar sempre o mesmo episódio.

Doenças Oculares

A raça é propensa a cataratas, distrofia da córnea, olho seco e úlceras da córnea, favorecidas por olhos grandes e pouco protegidos. O olho seco reduz a produção de lágrima e deixa a córnea exposta, exigindo tratamento contínuo; as úlceras são uma urgência e manifestam-se por dor, fecho do olho e lacrimejo súbito. O exame oftalmológico regular dos reprodutores e a vigilância de qualquer alteração de aspeto ou de comportamento perante a luz são recomendados.

Síndrome de Queda Episódica e Olho Seco com Pelo Encaracolado

Duas doenças hereditárias raras mas específicas desta raça, agrupadas aqui porque têm em comum a única coisa que interessa a quem escolhe um criador: existe teste de ADN definitivo para ambas, aprovado pelo Kennel Club britânico, e nenhum cachorro precisa de nascer afetado. A síndrome de queda episódica provoca crises de rigidez muscular e colapso desencadeadas por exercício, excitação ou stress, sem perda de consciência, e é frequentemente confundida com epilepsia. A síndrome de olho seco com pelo encaracolado é congénita e grave: o cachorro nasce de pelo áspero, desenvolve secura ocular nas primeiras semanas e apresenta alterações das almofadinhas e das unhas. Ambas são recessivas, pelo que dois portadores saudáveis podem gerar afetados — estima-se que cerca de 19% dos Cavaliers britânicos sejam portadores da queda episódica e cerca de 11% do olho seco com pelo encaracolado. Um criador que testa apresenta os resultados dos progenitores sem hesitar.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

5

Nível de guarda

2

Brincalhão

4

Adaptabilidade

5

Necessidades sociais

5

Temperamento

Afetuoso, dócil, sociável, dependente

Inteligência

4

Bom com outros cães

5

Bom com gatos ou outros animais

4

Amigável com estranhos

5

Bom como cão de serviço

4

Bom para apartamentos

5

Nível de latido

2

Aparência

Altura

30-33 cm

Tamanho

Pequeno

Cores

Blenheim, Tricolor, Preto e castanho, Ruby

Textura do pelo

Sedoso, liso ou ligeiramente ondulado, com franjas

Comprimento do pelo

Médio

Treino

Facilidade de treino

4

Exercício

Necessidades de exercício

3

Tempo de exercício

45 a 60 minutos por dia

Necessidades de exercício mental

3

Atividades favoritas

Passeios tranquilos, jogos de busca, trabalho de terapia assistida

Higiene

Necessidades de higiene

3

Frequência de escovagem

2-3 vezes por semana

Precisa de higiene profissional?

Não - não requer tosquia

Nível de baba

2

Problemas de Saúde

Doença Degenerativa da Válvula Mitral

Siringomielia e Malformação tipo Chiari

Luxação da Rótula

Otites e Problemas Auriculares

Doenças Oculares

Síndrome de Queda Episódica e Olho Seco com Pelo Encaracolado

Outros

Criado para

Companhia

País de origem

Reino Unido

Nível de popularidade

4