Conhece a raça

Cão de Pastor da Ásia Central

Raça Cão de Pastor da Ásia Central

Um guardião que poupa energia até ao dia em que é preciso.

Molosso gigante das estepes da Ásia Central, sereno com a família e desconfiado com estranhos, que exige dono experiente, vedação sólida e socialização desde cachorro.

Ver crias disponíveis

Encontra criadores de confiança para o cão dos teus sonhos

Energia Média

Nível de energia

3/5

Manutenção Baixa

Higiene

2/5

Gigante

Tamanho

Calmo, independente, territorial, destemido

Temperamento

10-15 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Difícil

Treino

2/5

Vocalidade Alta

Latido

4/5

Porque as pessoas adoram Cão de Pastor da Ásia Central

Porque as pessoas adoram os Cães de Pastor da Ásia Central

Quem escolhe esta raça procura um guardião, e o Cão de Pastor da Ásia Central é dos mais genuínos que existem. Durante séculos protegeu rebanhos contra predadores grandes, e o padrão da FCI aponta a ausência de medo perante eles como um traço característico da raça. Ao mesmo tempo, descreve-o como seguro de si, equilibrado, calmo e orgulhoso: não é um cão nervoso que ladra a tudo o que mexe, mas um cão que observa, avalia e só intervém quando acha necessário. Com a família é dedicado sem ser pegajoso; prefere estar perto dos seus, mas não exige atenção a toda a hora. O American Kennel Club refere que costuma dar-se bem com crianças da casa, sobretudo numa família ativa. Os donos valorizam também a robustez: é um cão rústico, de manutenção de pelo simples e moldado por condições de vida duras. Para uma quinta, um monte ou uma propriedade grande e vedada, poucos cães oferecem esta combinação de presença, calma e proteção.

Aparência

Aparência do Cão de Pastor da Ásia Central

O padrão da FCI (n.º 335) descreve um cão de construção harmoniosa e grande estatura, robusto e musculado, mas sem músculos à vista. O corpo é apenas ligeiramente mais comprido do que a altura à cernelha, e o tamanho grande é desejado desde que as proporções se mantenham. A diferença entre sexos é bem marcada: os machos são mais maciços, com cernelha mais pronunciada e cabeça maior. A maturidade completa só chega aos três anos. A cabeça é maciça e quase retangular, com focinho rombo e largo; as orelhas são médias, triangulares, grossas, de inserção baixa e caídas. Nos países de origem é tradição cortá-las, mas em Portugal o corte de orelhas é proibido por lei, e o padrão dá à cauda natural, em forma de foice ou anel solto, o mesmo valor que à cortada. A pele é grossa e solta, para proteger o cão em lutas com predadores, e há papada no pescoço. O pelo é áspero, com subpelo abundante, em duas variedades: curto (3 a 5 cm) ou mais comprido (7 a 10 cm), com crina no pescoço e franjas nas orelhas, membros e cauda. São admitidas todas as cores, exceto o azul e o castanho genéticos e o fulvo com manto preto.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Cão de Pastor da Ásia Central

A manutenção do pelo é simples para um cão deste tamanho. Uma escovagem semanal com uma escova de cerdas firmes e um rastelo para o subpelo chega na maior parte do ano. O trabalho concentra-se nas mudas: o subpelo cai em grande quantidade uma ou duas vezes por ano, em geral na primavera e no outono, e nessas semanas a escovagem deve ser quase diária. Como passa muito tempo ao ar livre, convém verificar o pelo com regularidade à procura de espigas, carrapichos e carraças, sobretudo nas franjas dos cães de pelo mais comprido. Os banhos devem ser raros, porque o excesso retira a oleosidade natural da pele e do pelo. As unhas crescem depressa e precisam de ser cortadas com frequência; habituar o cachorro a deixar mexer nas patas poupa muitas lutas com um adulto de 50 kg. Os dentes devem ser escovados regularmente, e as orelhas, caídas e não cortadas, verificadas todas as semanas.

Temperamento e Características

Temperamento do Cão de Pastor da Ásia Central

O padrão da FCI resume-o como seguro de si, equilibrado, calmo, orgulhoso e independente, muito corajoso e com um instinto natural de território. E desqualifica tanto o cão agressivo como o excessivamente tímido, o nervoso e o sobreexcitado: o temperamento certo é o de um cão estável, não o de um cão feroz. Na prática, é um guardião que decide por si. Foi formado para guardar rebanhos e casas avaliando as ameaças por si, sem esperar ordens, e esse instinto não desaparece por viver numa casa. Com a família é afetuoso e tende a ficar perto dos seus, sem ser pegajoso. Com estranhos é desconfiado, e o American Kennel Club avisa que a territorialidade pode tornar difícil receber visitas: quem entra na propriedade deve ser apresentado pelo dono, e o cão deve aprender desde cedo que as visitas autorizadas são aceites. Pode conviver com outros cães e com gatos quando é apresentado a eles em cachorro e sob supervisão, e costuma dar-se bem com animais de quinta. Com animais que não conhece, o American Kennel Club nota que pode ser desconfiado, e os encontros com cães estranhos pedem trela e atenção. Ladrar faz parte do trabalho de um guardião e é frequente, e um cão deixado sozinho muito tempo tende a ladrar e a escavar em excesso. Não é uma raça recomendada para quem nunca teve cão.

Exercício

Necessidades de Exercício do Cão de Pastor da Ásia Central

Não é um cão de energia constante. O American Kennel Club descreve-o como um cão de trabalho independente, de energia mais baixa e grande resistência, e o padrão da FCI explica porquê: as condições duras da Ásia Central ensinaram-no a poupar energia. Mas energia baixa não quer dizer necessidades baixas. Precisa de atividade física e mental todos os dias, e a melhor forma de lha dar é espaço: um terreno amplo e bem vedado, onde possa patrulhar, é parte do exercício e parte do trabalho que lhe dá equilíbrio. A vedação tem de ser alta e sólida, porque um cão territorial deste porte não pode sair sozinho para a rua. Fora de casa, os passeios devem ser sempre à trela, e uma ou duas horas diárias de passeio calmo e de exploração chegam para um adulto. Desportos de alto impacto e corridas ao lado da bicicleta não são para ele, e durante o crescimento, que nesta raça é longo, ainda menos: saltos, escadas e corridas longas devem ser evitados enquanto as articulações se formam. No verão português, os passeios fazem-se nas horas frescas e o cão precisa sempre de sombra e de água. Não é uma raça para apartamento nem para quem passa o dia fora de casa.

Treino

Treino do Cão de Pastor da Ásia Central

É inteligente, mas foi selecionado para tomar decisões sozinho, e o treino de obediência é exigente: o American Kennel Club fala de um processo difícil, que pede paciência e coerência. Não espere um cão que repete exercícios por gosto; espere um cão que precisa de perceber porque deve obedecer. A socialização é a parte mais importante e não pode ser adiada. Deve começar no dia em que o cachorro chega a casa, porque as primeiras 16 semanas são um período crítico de aprendizagem, sobretudo nas raças de guarda: pessoas de várias idades, visitas, veterinário, carro, outros cães equilibrados e ruídos da rua. Um cão mal socializado com 50 kg é um problema sério e difícil de corrigir. O reforço positivo funciona melhor do que a força, que num cão orgulhoso e independente tende a gerar confronto. Aulas para cachorros e o apoio de um treinador com experiência em raças de guarda são um bom investimento. O treino nunca termina: o cão amadurece devagar, só aos três anos, e precisa de orientação ao longo de toda a vida.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Cão de Pastor da Ásia Central

Uma ração completa e equilibrada, adequada à idade e formulada para cães de porte gigante, cobre as necessidades da raça. O cachorro é o período que mais conta: cresce durante muito tempo e só atinge a maturidade aos três anos, por isso deve comer uma ração de crescimento para raças gigantes, em quantidades medidas, sem acelerar o crescimento com excesso de calorias nem cálcio dado por conta própria. Um crescimento rápido sobrecarrega as articulações numa raça em que a displasia da anca é a principal preocupação. Os adultos fazem habitualmente duas refeições por dia. Dividir a dose em duas ou três refeições em vez de uma só também reduz o risco de torção gástrica, a que os cães gigantes de peito fundo estão predispostos, tal como evitar exercício intenso logo antes e depois de comer. Os biscoitos e recompensas não devem passar de 10% das calorias diárias. O peso avalia-se pela condição corporal: as costelas sentem-se ao toque sem se verem, e o pelo denso disfarça bem os quilos a mais. Um suplemento articular pode fazer sentido, mas só por indicação do veterinário. Água fresca sempre disponível, sobretudo no verão.

História

História do Cão de Pastor da Ásia Central

O padrão da FCI considera-o uma das raças de cães mais antigas: formou-se por seleção natural ao longo de mais de quatro mil anos, num território que vai do mar Cáspio à China e dos Urais do Sul ao Afeganistão. Descende dos cães antigos do Tibete e dos cães de gado das tribos nómadas, aparentados com o Cão de Pastor Mongol e o Mastim do Tibete. Era usado sobretudo para proteger o gado dos predadores, guardar as caravanas e as casas dos donos. As condições duras e a luta constante contra os predadores moldaram-lhe o corpo e o carácter: tornaram-no forte e destemido e ensinaram-no a poupar energia. O trabalho de criação organizada começou na União Soviética nos anos 1930, e é por isso que a FCI regista a URSS como país de origem e a Rússia como país patrocinador do padrão, na secção dos molossos de tipo montanha. Nas regiões de origem continuam a existir cães aborígenes de tipo variável no Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão, Cazaquistão, Afeganistão e Usbequistão. No Turquemenistão, o Alabai é símbolo nacional: tem um feriado próprio desde 2021 e, em 2020, foi inaugurado em Asgabate um monumento de 15 metros com um Alabai dourado. Nos Estados Unidos está registado no Foundation Stock Service do American Kennel Club, o passo anterior ao reconhecimento pleno. Na Dinamarca a raça está proibida.

Problemas de saúde

Cão de Pastor da Ásia Central têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 10-15 anos

Displasia da Anca

É a preocupação de saúde mais citada na raça. Uma malformação hereditária em que a anca se desenvolve com folga e a cabeça do fémur não encaixa bem na bacia; com o tempo, o desgaste leva a artrose e dor. Os sinais são coxeio, relutância em levantar-se ou saltar, peso deslocado para os membros anteriores e perda de músculo nos posteriores. Não depende só dos genes: um crescimento rápido e o excesso de peso agravam-na, e o dono controla ambos. Nos casos ligeiros, o controlo de peso, a fisioterapia e os anti-inflamatórios ajudam; nos graves pode ser necessária cirurgia. O rastreio radiográfico dos reprodutores é a principal arma da criação responsável: peça ao criador os resultados oficiais da anca dos pais.

Epidermólise Bolhosa Distrófica (DEB)

Doença genética rara da pele, presente desde o nascimento. Um estudo publicado em 2017 identificou a mutação responsável na raça, no gene COL7A1: os cachorros afetados nasceram com bolhas e úlceras nas patas, orelhas, focinho e boca, e foram eutanasiados pelo mau prognóstico. Não há cura nem tratamento eficaz. A herança é recessiva: os pais parecem saudáveis e só os cachorros com duas cópias da mutação adoecem. Na amostra estudada, 13 de 47 cães eram portadores, cerca de 28%. Existe um teste genético simples, com zaragatoa bucal, e os criadores responsáveis testam os reprodutores e não cruzam dois portadores. Peça o resultado de ambos os pais.

Torção Gástrica (Dilatação-Volvo)

Emergência em que o estômago se enche de gás e roda sobre si próprio, cortando a circulação. O Colégio Americano de Cirurgiões Veterinários inclui no grupo de maior risco os cães grandes e gigantes de peito fundo, os mais velhos e os que comem uma única refeição grande por dia. Os primeiros sinais são inquietação, salivação, barriga inchada e tentativas de vomitar sem resultado; perante eles, o cão tem de ir ao veterinário de imediato, porque a sobrevivência depende da rapidez. Dividir a comida em duas ou três refeições ajuda a prevenir. A gastropexia, uma cirurgia que fixa o estômago à parede abdominal, impede a torção e pode ser feita, por exemplo, na esterilização; vale a pena falar dela com o veterinário.

Otites

Em Portugal as orelhas não podem ser cortadas, e as orelhas caídas da raça retêm humidade e sujidade, o que favorece infeções do canal auditivo. Os sinais são abanar a cabeça, coçar as orelhas, mau cheiro, cera ou detritos no canal e vermelhidão. A prevenção passa por verificar as orelhas todas as semanas e limpá-las com o produto e a frequência que o veterinário indicar, sobretudo depois de banhos ou de dias de chuva. Uma otite que se repete deve ser vista pelo veterinário.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

4

Nível de guarda

5

Brincalhão

2

Adaptabilidade

2

Necessidades sociais

3

Temperamento

Calmo, independente, territorial, destemido

Inteligência

4

Bom com outros cães

2

Bom com gatos ou outros animais

2

Amigável com estranhos

1

Bom como cão de serviço

1

Bom para apartamentos

1

Nível de latido

4

Aparência

Altura

Machos mín. 70 cm, Fêmeas mín. 65 cm

Tamanho

Gigante

Cores

Branco, Fulvo, Preto, Tigrado, Malhado (branco com manchas)

Textura do pelo

Duplo, capa áspera e subpelo abundante

Comprimento do pelo

Curto a médio

Treino

Facilidade de treino

2

Exercício

Necessidades de exercício

3

Tempo de exercício

1-2 horas

Necessidades de exercício mental

3

Atividades favoritas

Patrulhar o terreno, passeios calmos à trela, exploração

Higiene

Necessidades de higiene

2

Frequência de escovagem

Semanal (diária nas mudas)

Precisa de higiene profissional?

Não

Nível de baba

2

Problemas de Saúde

Displasia da Anca

Epidermólise Bolhosa Distrófica (DEB)

Torção Gástrica (Dilatação-Volvo)

Otites

Outros

Criado para

Guarda de rebanhos, caravanas e casas

País de origem

Ásia Central (antiga URSS)

Nível de popularidade

1