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Cão de Água Português

Raça Cão de Água Português

O Cão de Água Português é um aliado leal e energético.

Criado para ajudar pescadores, é versátil e adora atividades aquáticas.

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Energia Muito Alta

Nível de energia

5/5

Manutenção Alta

Higiene

4/5

Médio

Tamanho

Leal, inteligente, energético, voluntarioso

Temperamento

11-13 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Muito Fácil

Treino

5/5

Vocalidade Média

Latido

3/5

Porque as pessoas adoram Cão de Água Português

Porque as pessoas adoram os Cães de Água Portugueses

Os Cães de Água Portugueses são amados pela sua personalidade vivaz e adaptável. São companheiros leais e afetuosos, muito ligados à família, e a inteligência que o padrão da raça sublinha torna-os rápidos a aprender, o que os faz brilhar tanto em provas de agility e obediência como nas tarefas do dia a dia. Na água estão no seu elemento: nadam e mergulham com uma facilidade que poucas raças igualam, e a praia ou o rio depressa se tornam o passeio preferido da casa. Para muitas famílias pesa também o pelo, que quase não se solta pela casa. Convém não confundir isto com um cão hipoalergénico: não há prova científica de que existam raças que não provoquem alergias, e quem é alérgico deve conviver com a raça antes de decidir. Em Portugal junta-se o gosto de ter uma raça nacional, nascida nos portos do Algarve, que esteve perto de desaparecer e foi recuperada por criadores portugueses. A sua resistência faz deles ótimos companheiros de exercício.

Aparência

Aparência do Cão de Água Português

O Cão de Água Português é de porte médio, forte e bem musculado, de construção quase quadrada: o comprimento do corpo é aproximadamente igual à altura ao garrote, e o peito, largo e fundo, desce até ao cotovelo. O padrão FCI atribui a musculatura desenvolvida à natação constante. Os machos medem 50 a 57 cm ao garrote, com 54 cm como altura ideal, e pesam 19 a 25 kg; as fêmeas medem 43 a 52 cm, idealmente 46 cm, e pesam 16 a 22 kg. A cabeça é larga e forte, com olhos redondos e escuros e orelhas finas em forma de coração, presas junto à cabeça. Os pés têm membranas que se estendem por todo o comprimento dos dedos, cobertas de pelo, e a cauda, grossa na base, enrola-se em anel quando o cão está atento; o padrão chama-lhe uma ajuda para nadar e mergulhar. O pelo cobre todo o corpo e não tem subpelo. Há duas variedades: uma de pelo comprido e ondulado, ligeiramente brilhante, e outra de pelo mais curto, em caracóis compactos e cilíndricos. As cores aceites são o preto, o castanho em vários tons e o branco inteiro; nos cães pretos ou castanhos, o branco é admitido no focinho, no peito, na barriga, na ponta da cauda e nas extremidades dos membros.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Cão de Água Português

O pelo do Cão de Água Português cresce continuamente e não tem subpelo, por isso solta-se pouco pela casa, mas embaraça com facilidade, sobretudo depois de banhos de mar ou de rio. Deve ser escovado 2 a 3 vezes por semana, até à pele, para evitar nós. Precisa também de ser cortado com regularidade, cerca de dois em dois meses. Há dois cortes tradicionais. No corte de leão, descrito no próprio padrão, tosquiam-se os quartos traseiros, o focinho e parte da cauda, deixando um penacho de pelo comprido na ponta. No corte de retriever, todo o pelo é aparado a seguir o contorno do cão, com não mais de 2,5 cm, o que é mais prático para um cão de família. Depois de nadar no mar ou numa piscina, um enxaguamento com água doce ajuda a manter o pelo e a pele em bom estado. As orelhas, pendentes e peludas, secam mal depois da água e devem ser limpas e vigiadas com regularidade, tal como as unhas e os dentes.

Temperamento e Características

Temperamento do Cão de Água Português

O padrão FCI descreve o Cão de Água Português como excecionalmente inteligente, capaz de compreender e obedecer às ordens do dono com facilidade e com gosto, mas também impetuoso, voluntarioso, corajoso e resistente ao cansaço. As duas metades desta descrição vivem no mesmo cão: aprende depressa, e aprende igualmente depressa o que lhe convém. É extremamente leal e forma laços fortes com a família. Foi criado para trabalhar lado a lado com o pescador, o seu companheiro inseparável, como diz o padrão, e é uma raça que pede companhia: não é um cão para passar o dia sozinho no quintal. O mesmo padrão lembra que guardava e protegia o barco e os bens do dono, e essa atenção mantém-se: avisa quando alguém chega, sem que isso deva ser confundido com agressividade, que o padrão considera desqualificante, tal como a timidez excessiva. Socializa bem com outros cães e pode conviver com gatos e outros animais se for habituado desde cedo. A sua energia e o gosto pela brincadeira fazem dele um bom companheiro para crianças, sempre com supervisão, porque um cão desta força e deste entusiasmo pode derrubar uma criança pequena sem querer. Em casa, bem exercitado, é um cão tranquilo; sem exercício nem ocupação, a mesma inteligência é gasta a inventar tarefas.

Exercício

Necessidades de Exercício do Cão de Água Português

O Cão de Água Português tem necessidades de exercício elevadas, próprias de um cão que passava o dia a nadar entre o barco e a costa, a mergulhar atrás de peixe e de redes e a levar cabos de um lado para o outro. Precisa de pelo menos 1 a 2 horas de atividade por dia, que pode incluir caminhadas longas, corridas, jogos de busca e, sempre que possível, natação. O padrão da raça descreve-o como um nadador e mergulhador excelente e resistente, e a água é o exercício que mais o satisfaz; em Portugal, com praias e rios ao alcance da maioria das famílias, isso é fácil de proporcionar. Convém escolher águas calmas e vigiadas e não o deixar nadar até à exaustão, porque o entusiasmo tende a ser maior do que o cansaço que mostra. O estímulo mental é igualmente importante. Jogos de inteligência, treino de agility, obediência e provas de trabalho em água, em que o cão recupera objetos caídos à água e leva cargas de um barco para outro, dão-lhe a ocupação para que foi criado. A falta de estímulo pode resultar em comportamento destrutivo, por isso quem escolhe esta raça deve estar preparado para investir tempo e energia todos os dias, com chuva ou com sol.

Treino

Treino do Cão de Água Português

Os Cães de Água Portugueses são muito inteligentes e gostam de agradar, o que facilita o treino. Respondem bem ao reforço positivo, com petiscos, brincadeira e elogios, e mal a métodos duros, que um cão voluntarioso tende a contornar em vez de aceitar. É fundamental começar o treino e a socialização desde cedo, com pessoas, cães, ruídos e locais variados, para que cresça sociável e seguro. A inteligência tem outro lado: um cão que aprende depressa aborrece-se com a repetição, pelo que as sessões devem ser curtas e variadas. Vale a pena ensinar cedo a chamada e o largar, porque foi criado para agarrar e trazer objetos, e um cão desta energia precisa de regras claras sobre o que pode apanhar. Estes cães são versáteis e podem ser treinados para várias disciplinas, como agility, obediência e trabalho em água, onde os clubes da raça organizam provas próprias baseadas nas antigas tarefas a bordo. A sua natureza atenta pode ser orientada para dar alerta, mas o objetivo deve ser um cão equilibrado, não um cão de guarda.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Cão de Água Português

Pela sua energia e porte médio, o Cão de Água Português requer uma dieta equilibrada, ajustada à idade, ao peso e ao nível de atividade. Uma ração de qualidade completa, adequada à fase de vida, cobre as suas necessidades; um cão que nada e corre todos os dias gasta muito mais do que um que passa a semana em casa, e a quantidade deve refletir essa diferença. Dividir a alimentação em duas refeições diárias é prática comum e ajuda a regular o apetite. É importante vigiar o peso: o pelo farto disfarça bem os quilos a mais, por isso o controlo deve ser feito com as mãos, sentindo as costelas, e não apenas a olhar. O excesso de peso sobrecarrega as articulações, o que conta numa raça em que a displasia da anca é rastreada. Durante o crescimento, uma ração formulada para cachorros de porte médio a grande e um crescimento sem excessos protegem as articulações. Alguns cães beneficiam de ácidos gordos ómega-3 para a pele e o pelo, mas qualquer suplemento deve ser combinado com o veterinário. Evite restos de comida e guloseimas em excesso, que desequilibram a dieta e somam calorias sem que se note.

História

História do Cão de Água Português

O Cão de Água Português é uma raça autóctone, e a sua presença na costa portuguesa é, segundo o padrão FCI, muito antiga. Em tempos encontrava-se ao longo de todo o litoral; com as mudanças nos métodos de pesca, foi ficando sobretudo no Algarve, hoje considerado o seu berço, onde era também conhecido como cão de água algarvio. Nos barcos, saltava ao mar para recuperar o peixe que escapava, mergulhava quando uma rede se rompia ou um cabo se soltava, fazia a ligação entre embarcações e a terra, mesmo a grandes distâncias, e guardava o barco e o pescado. Com a modernização da pesca, deixou de ser necessário e a raça ficou à beira do desaparecimento. Nos anos 1930, Vasco Bensaude, empresário ligado à pesca e à navegação, reuniu cães no Algarve e iniciou um programa de criação no seu canil Algarbiorum. O seu macho Leão tornou-se o modelo do primeiro estalão e está na origem de uma parte muito grande dos Cães de Água registados hoje. Mais tarde, cães destas linhas seguiram para os Estados Unidos, onde o clube da raça foi fundado em 1972 e o American Kennel Club a reconheceu em 1983. A família Obama, com os cães Bo e Sunny, deu-lhe fama internacional. Hoje é tanto cão de família como competidor em provas de trabalho em água.

Problemas de saúde

Cão de Água Português têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 11-13 anos

Displasia da Anca

A displasia da anca é uma má formação hereditária da articulação da anca, em que a cabeça do fémur não encaixa bem na cavidade da bacia. Com o tempo provoca desgaste, artrose e dor. Pode manifestar-se já no cão jovem, com fraqueza nos posteriores, dificuldade em levantar-se, coxeio ou relutância em saltar e subir escadas, ou só na idade adulta, como rigidez e perda de mobilidade. O dono pode ajudar mantendo o cão magro, evitando excessos durante o crescimento e privilegiando exercício de baixo impacto como a natação, que esta raça adora. O tratamento vai da gestão da dor e fisioterapia à cirurgia nos casos graves. O clube da raça nos Estados Unidos recomenda a avaliação radiográfica das ancas dos reprodutores; peça ao criador o resultado oficial dos pais.

Atrofia Progressiva da Retina (PRA)

A PRA é uma doença ocular hereditária em que as células da retina que captam a luz degeneram, levando a cegueira. No Cão de Água Português há duas formas. A prcd-PRA, que foi descoberta precisamente nesta raça, é tardia: costuma ser diagnosticada entre os 3 e os 5 anos, começa pela cegueira noturna e avança até à perda total de visão. A PRA de início precoce (EO-PRA), identificada mais recentemente, aparece por volta de 1 a 2 anos e progride depressa. Não tem cura, mas a maioria dos cães adapta-se bem num ambiente que conhece. Ambas são recessivas e têm teste de ADN, pelo que um cruzamento em que pelo menos um dos pais é livre não produz cachorros afetados. Exames oftalmológicos anuais dos reprodutores completam o rastreio.

Doença de Addison

A doença de Addison, ou hipoadrenocorticismo, é uma falha das glândulas suprarrenais, que deixam de produzir hormonas essenciais como o cortisol. O Cão de Água Português é das raças mais afetadas, e um estudo publicado em 2006 estimou uma heritabilidade de cerca de 0,49 na raça, o que confirma que é herdada. Os sinais são vagos e vão e vêm: cansaço, falta de apetite, vómitos, diarreia, sede aumentada e perda de peso. Por isso é muitas vezes diagnosticada tarde, e alguns cães chegam ao veterinário numa crise aguda, com fraqueza súbita, vómitos intensos e por vezes colapso, que é uma emergência. Com diagnóstico, o tratamento consiste em medicação para repor as hormonas em falta, para toda a vida, e a maioria dos cães leva uma vida normal. Não existe teste genético; o criador deve conhecer e partilhar o historial de Addison nas suas linhas.

Gangliosidose GM1 (doença de armazenamento)

A GM1 é uma doença hereditária de armazenamento lisossomal: falta uma enzima que decompõe certas substâncias nas células, e estas acumulam-se no cérebro e no sistema nervoso. Afeta cachorros, que por volta dos seis meses mostram falta de coordenação, tremores, marcha alterada, perda de peso e de visão, e é sempre fatal. É recessiva, e o teste de ADN existe há décadas: basta que um dos pais seja livre para que nenhum cachorro seja afetado. Graças a isso, os portadores são hoje raros na raça, mas o teste continua a ser pedido aos reprodutores e vale a pena confirmá-lo com o criador.

Cardiomiopatia Dilatada Juvenil (JDCM)

A cardiomiopatia dilatada juvenil é uma doença cardíaca hereditária que dilata e enfraquece o coração de cachorros muito novos, entre as duas semanas e os oito meses de idade. Muitas vezes o cachorro morre de forma súbita e sem sinais prévios; noutros casos há abatimento e falta de apetite durante alguns dias antes de uma insuficiência cardíaca fatal. É recessiva e existe teste genético para identificar portadores, e, com o teste generalizado, os portadores tornaram-se raros na América do Norte. É um dos testes que um criador responsável faz aos pais antes de cruzar; peça para ver os resultados.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

5

Nível de guarda

3

Brincalhão

4

Adaptabilidade

4

Necessidades sociais

5

Temperamento

Leal, inteligente, energético, voluntarioso

Inteligência

5

Bom com outros cães

4

Bom com gatos ou outros animais

4

Amigável com estranhos

4

Bom como cão de serviço

4

Bom para apartamentos

3

Nível de latido

3

Aparência

Altura

Machos: 50-57 cm, Fêmeas: 43-52 cm

Tamanho

Médio

Cores

Preto, Castanho, Branco, Preto e branco, Castanho e branco

Textura do pelo

Sem subpelo; encaracolado ou comprido e ondulado

Comprimento do pelo

Médio

Treino

Facilidade de treino

5

Exercício

Necessidades de exercício

5

Tempo de exercício

1-2 horas

Necessidades de exercício mental

4

Atividades favoritas

Natação, jogos de busca, caminhadas longas

Higiene

Necessidades de higiene

4

Frequência de escovagem

2-3 vezes por semana

Precisa de higiene profissional?

Sim

Nível de baba

1

Problemas de Saúde

Displasia da Anca

Atrofia Progressiva da Retina (PRA)

Doença de Addison

Gangliosidose GM1

Cardiomiopatia Dilatada Juvenil

Outros

Criado para

Assistência a pescadores e companhia

País de origem

Portugal

Nível de popularidade

3