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Boston Terrier

Raça Boston Terrier

O primeiro cão verdadeiramente americano, de smoking vestido.

Molossóide pequeno de cabeça quadrada e marcações brancas, criado para companhia e adaptado à vida urbana.

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Energia Baixa

Nível de energia

2/5

Manutenção Muito Baixa

Higiene

1/5

Pequeno

Tamanho

Amigável, vivo, inteligente, determinado

Temperamento

11-13 anos

Esperança de vida

Treinabilidade Fácil

Treino

4/5

Vocalidade Baixa

Latido

2/5

Porque as pessoas adoram Boston Terrier

Porque as pessoas adoram os Boston Terriers

É um cão pequeno sem os defeitos que costumam acompanhar os cães pequenos: não é nervoso, não ladra por tudo e não é frágil. O tamanho — no máximo 11,35 kg pelo padrão FCI — cabe num apartamento, mas o corpo é sólido e aguenta brincadeira com crianças. O pelo curto reduz o grooming a poucos minutos por semana. E o temperamento é o argumento principal: o padrão da raça descreve-o como amigável e vivo, com excelente disposição, e é essa combinação de alegria sem excesso que explica a popularidade que mantém há mais de um século. Acrescente-se a expressão — olhos grandes, redondos e escuros, muito afastados — que é o traço que o padrão considera mais importante da raça.

Aparência

Aparência do Boston Terrier

Cão pequeno, de aparência marcadamente quadrada, com cerca de 25 a 38 cm. O padrão FCI não define altura: classifica a raça por três classes de peso — menos de 6,8 kg, de 6,8 a 9 kg e de 9 a 11,35 kg. A cabeça é quadrada e plana no topo, sem rugas, com stop bem definido e focinho curto e quadrado que não deve exceder um terço do comprimento do crânio. As orelhas são pequenas e eretas e a cauda é curta, de inserção baixa, reta ou em saca-rolhas, nunca portada acima da horizontal. O pelo é curto, liso, fino e brilhante. As cores admitidas são o tigrado, o "seal" (preto com reflexo avermelhado à luz forte) e o preto, sempre com marcações brancas: o padrão exige banda branca no focinho, lista branca entre os olhos e peito branco.

Higiene e Tratamento

Cuidados e Grooming do Boston Terrier

É das raças mais simples de manter. O pelo curto e fino precisa de uma escovagem semanal com luva ou escova macia e de banhos pouco frequentes. Não há tosquia nem grooming profissional. O trabalho verdadeiro está noutro lado: as pregas do focinho, quando existem, devem ser limpas e secas para prevenir dermatite; os olhos, grandes e salientes, ficam expostos a poeiras e traumatismos e merecem verificação regular, porque a raça tem predisposição para úlceras da córnea e para olho seco; e os dentes exigem escovagem frequente, já que a mandíbula curta aperta a dentição e favorece o tártaro. Apesar do pelo curto, a raça larga pelo de forma constante ao longo do ano, e a escovagem semanal serve sobretudo para o recolher antes que se espalhe pela casa. As orelhas eretas arejam bem e raramente infetam, mas devem ser inspecionadas. As unhas crescem depressa num cão que anda pouco em superfícies abrasivas e precisam de corte a cada três a quatro semanas.

Temperamento e Características

Temperamento do Boston Terrier

O padrão FCI resume-o em duas palavras: amigável e vivo. É um cão de companhia por função e por temperamento, que procura estar junto das pessoas e se adapta bem a casas com crianças, desde que a brincadeira seja supervisionada — o cão é sólido, mas os olhos salientes são vulneráveis. Com estranhos é aberto e sem desconfiança, o que faz dele um mau cão de guarda apesar de avisar à porta. Costuma conviver bem com outros cães e com gatos quando socializado cedo, sem o instinto de caça marcado de outros terriers, já que de terrier só tem o nome e a ascendência antiga. O nível de ladrar é baixo, o que é meio caminho andado para viver num prédio. A alcunha de "American Gentleman" não é publicidade: descreve um cão que se comporta bem em espaços partilhados, aceita visitas sem histeria e passa grande parte do dia descansado, desde que tenha companhia. O reverso da moeda é precisamente essa dependência — é uma raça que sofre com solidão prolongada, pode desenvolver ansiedade de separação e não é adequada a quem passa o dia inteiro fora. É também um cão sensível ao tom de voz, que se retrai com ralhetes e responde muito melhor a rotina calma do que a disciplina.

Exercício

Necessidades de Exercício do Boston Terrier

Precisa de cerca de meia hora a uma hora por dia, repartida em dois ou três passeios curtos e alguma brincadeira em casa. É um cão ativo e brincalhão, mas de fôlego limitado: a conformação braquicefálica restringe a passagem de ar e um estudo recente encontrou algum grau de obstrução respiratória em cerca de 62% dos Boston Terriers avaliados no Reino Unido. Na prática, isso significa passeios regulares em vez de esforço intenso, atenção à respiração ruidosa durante o exercício e paragem imediata se o cão começar a esforçar-se para respirar. O calor é o perigo maior: em Portugal, entre junho e setembro, o exercício deve ficar limitado ao início da manhã e ao fim do dia, e o cão nunca deve ser deixado num carro ou ao sol. Jogos de olfato, tapetes de lambedura e brinquedos interativos cobrem bem a parte mental sem exigir esforço físico, e são a melhor alternativa nos dias em que está demasiado quente para sair. Dentro de casa, o cão entretém-se com brincadeira curta e intensa seguida de longos períodos de descanso, que é o ritmo natural da raça. O frio também incomoda: o pelo é curto e sem subpelo, e no inverno um casaco é justificado em passeios longos. Escadas e saltos repetidos do sofá devem ser limitados, pela predisposição a problemas de rótula e de coluna.

Treino

Treino do Boston Terrier

O padrão da raça destaca o alto grau de inteligência, e o treino básico costuma correr bem: aprende depressa e gosta de trabalhar com o dono. O Kennel Club britânico descreve-o também como determinado e de vontade forte, e é aí que está o desafio — responde a reforço positivo e fecha-se com métodos duros ou repetição excessiva. As sessões devem ser curtas, variadas e longe das horas de calor. A socialização precoce é simples numa raça naturalmente sociável, mas não deve ser dispensada. Um ponto prático: a coleira deve ser substituída por peitoral, porque a pressão na traqueia agrava a dificuldade respiratória de um cão braquicefálico. A higiene doméstica costuma ser rápida de estabelecer, embora a bexiga pequena obrigue a saídas frequentes nos primeiros meses. Vale a pena treinar desde cedo a tolerância ao manuseamento dos olhos e do focinho, que serão examinados muitas vezes ao longo da vida. E, porque é um cão que fica facilmente sozinho em stress, o treino de ficar só deve começar em cachorro, em períodos curtos e progressivos, antes que o problema se instale.

Dieta e Nutrição

Dieta e Nutrição do Boston Terrier

O controlo do peso é a prioridade absoluta. O excesso de peso agrava diretamente a dificuldade respiratória de um cão braquicefálico e sobrecarrega joelhos já predispostos a luxação da rótula, pelo que as porções devem ser medidas e os petiscos contabilizados. Recomenda-se ração de qualidade adequada a cães de porte pequeno, dividida em duas refeições diárias, com croquete que o cão consiga apanhar — a mandíbula curta e prognata dificulta a preensão de grânulos demasiado pequenos ou lisos. Comer depressa e engolir ar é comum na raça e contribui para a flatulência de que muitos donos se queixam; comedouros anti-voracidade ajudam. A dermatite alérgica é frequente na raça e alguns casos melhoram com dietas de proteína única, sempre com acompanhamento veterinário e nunca por tentativa e erro prolongada. No cachorro, a alimentação deve seguir uma ração de porte pequeno com três a quatro refeições diárias até aos seis meses, passando depois a duas. Água fresca sempre disponível é mais importante nesta raça do que na média, porque um cão braquicefálico arrefece mal e desidrata depressa no verão.

História

História do Boston Terrier

A raça nasce em Boston, no Massachusetts, por volta de 1870, quando Robert C. Hooper comprou a William O'Brien um cão do tipo "bull and terrier" chamado Judge — cruzamento entre Bulldog Inglês e o hoje extinto White English Terrier. Hooper's Judge é o patriarca de todos os Boston Terriers atuais. Cruzado com Gyp, uma fêmea branca de tipo Bulldog pertencente a Edward Burnett, deu um único cachorro, Well's Eph; deste, com Tobin's Kate, saiu a linha que fixou o tipo. Os cães eram então conhecidos como "Round Heads" e American Bull Terriers, e foram sendo reduzidos em tamanho e afastados da função de combate para a de companhia. Em 1891 foi fundado o Boston Terrier Club of America, que adotou o nome da cidade, e em 1893 a raça entrou no American Kennel Club — a primeira raça norte-americana a ser reconhecida. A FCI classifica-a hoje no Grupo 9, Secção 11, cães molossóides de pequeno porte, com a utilização de cão de companhia, e o padrão em vigor foi publicado em 2013. No Reino Unido pertence ao grupo Utility. Ao longo do século XX o Boston Terrier tornou-se uma presença constante nos campi universitários americanos — é a mascote da Universidade de Boston desde 1922 — e manteve-se desde então entre as raças de companhia mais populares no país, atravessando modas que levaram outras ao esquecimento.

Problemas de saúde

Boston Terrier têm algumas considerações de saúde:

Expectativa de vida: 11-13 anos

Síndrome Braquicefálica (BOAS)

A obstrução das vias respiratórias superiores associada ao focinho curto manifesta-se por respiração ruidosa, intolerância ao exercício e ao calor e sono agitado. Um estudo de 2024 com 104 Boston Terriers no Reino Unido encontrou 37,5% sem qualquer grau de obstrução — bastante melhor do que o Bulldog Francês (10%) e o Bulldog Inglês (15,2%), mas ainda assim uma maioria afetada. A estenose das narinas foi o fator de risco mais forte. Casos moderados a graves têm correção cirúrgica.

Doenças Oculares

Os olhos grandes e pouco protegidos expõem a raça a úlceras da córnea, olho seco (queratoconjuntivite seca) e glaucoma. O Boston Terrier está ainda entre as raças mais afetadas por catarata hereditária, que pode surgir nos primeiros meses de vida. Existe teste de ADN para a forma precoce, ligada ao gene HSF4 e de transmissão recessiva, que qualquer criador responsável faz aos reprodutores; há porém uma segunda forma juvenil, que aparece aos 3 a 5 anos e que esse teste não deteta, pelo que o exame oftalmológico continua a ser necessário.

Luxação da Rótula

A rótula sai da sua posição, provocando claudicação intermitente e, sem tratamento, artrose. É frequente nesta raça. O controlo do peso reduz o impacto e os casos mais graves resolvem-se cirurgicamente.

Hemivértebras e Doença Discal

A cauda em saca-rolhas é uma malformação vertebral, e as mesmas vértebras deformadas podem aparecer ao longo da coluna. A maioria não dá sintomas, mas algumas causam compressão medular com dor, fraqueza ou paralisia dos membros posteriores. A raça tem também predisposição para doença do disco intervertebral.

Surdez Congénita

Associada ao gene do malhado que produz as marcações brancas da raça, estima-se que cerca de 5% dos Boston Terriers sejam surdos de ambos os ouvidos. O teste BAER, feito em cachorro, identifica os afetados e deve ser pedido ao criador.

Distocia e Parto por Cesariana

A combinação de cabeça larga com anca estreita torna o parto natural difícil: mais de 80% das ninhadas nascem por cesariana. É um dado relevante para quem pondera criar e um custo que o criador responsável assume.

Especificações da Raça

Características e Temperamento

Afetuoso com a família

5

Nível de guarda

2

Brincalhão

4

Adaptabilidade

4

Necessidades sociais

5

Temperamento

Amigável, vivo, inteligente, determinado

Inteligência

4

Bom com outros cães

4

Bom com gatos ou outros animais

4

Amigável com estranhos

5

Bom como cão de serviço

3

Bom para apartamentos

5

Nível de latido

2

Aparência

Altura

25-38 cm

Tamanho

Pequeno

Cores

Tigrado com branco, Seal com branco, Preto com branco

Textura do pelo

Curto, liso e fino

Comprimento do pelo

Curto

Treino

Facilidade de treino

4

Exercício

Necessidades de exercício

2

Tempo de exercício

Meia hora a 1 hora por dia

Necessidades de exercício mental

3

Atividades favoritas

Passeios curtos, jogos de olfato, brincadeira em casa

Higiene

Necessidades de higiene

1

Frequência de escovagem

1 vez por semana

Precisa de higiene profissional?

Não

Nível de baba

2

Problemas de Saúde

Síndrome Braquicefálica (BOAS)

Doenças Oculares

Luxação da Rótula

Hemivértebras e Doença Discal

Surdez Congénita

Distocia e Parto por Cesariana

Outros

Criado para

Companhia

País de origem

Estados Unidos da América

Nível de popularidade

3